Criar um ambiente seguro para a população LGBT se locomover por Belo Horizonte e oferecer uma oportunidade de trabalho isenta de qualquer tipo de preconceito. Essas foram as ideias do administrador Thiago Vilas Boas e do engenheiro Gerson Almeida quando começaram a desenhar, em janeiro deste ano, o projeto do Homo Driver, aplicativo de mobilidade voltado para esta população.

Lançado nessa segunda-feira (17) na capital mineira, a ferramenta saltou de apenas 24 para 600 motoristas cadastrados em menos de 24 horas de funcionamento. O próximo passo é expandir o serviço para todo o país.

Além disso, até o fim da tarde desta terça-feira (18), 1.500 pessoas já haviam baixado o aplicativo. A rápida adesão à plataforma, até então inédita no Brasil, mostra que há demanda e mercado para o serviço. É o que conta um dos fundadores do negócio, Thiago Vilas Boas. "Por meio de uma análise social, nós percebemos que os aplicativos de mobilidade urbana não atendiam de forma satisfatória a comunidade LGBT, devido à falta de segurança, empatia e liberdade que essas pessoas sentiam nos carros".

Pensado inicialmente para atender e empregar exclusivamente a população LGBT, os fundadores passaram a receber demandas de outro público que também se sente inseguro, tanto trabalhando, como utilizando este serviço: as mulheres. Pensando nisso, o leque se abriu, mas a política para ser um motorista cadastrado se tornou mais rigorosa.

"Na política de privacidade da nossa empresa, o motorista tem que passar por um treinamento mobile com simulações do que ele vai encontrar, como casais gays de homens e mulheres. E temos uma rigorosa ferramenta de segurança que permite, ao final da corrida, a avaliação do usuário e também do motorista. Eles podem dizer se houve situações de homofobia, discriminação e preconceito, como eles se sentiram durante a corrida. Por meio disso, nós conseguimos saber imediatamente se houve algum caso assim e excluir o usuário ou motorista da plataforma", explica.

Expansão

Do desenho do projeto em janeiro até a chegada oficial ao mercado nessa segunda-feira (17) foram investidos R$ 500 mil. A expectativa é que em três meses a plataforma chegue a 10 mil downloads. Assim que foi colocada no ar, os fundadores passaram a receber diversas solicitações de potenciais usuários de outros Estados, perguntando quando o app ia estar disponível em suas cidades.

O planejamento da empresa é habilitar o serviço no Rio de Janeiro e em São Paulo já em março do ano que vem, e, até o fim de 2019, passar a operar em outras capitais do país.

Diversidade para crescer

A empresa conta com 20 colaboradores, dos quais 90% fazem parte da comunidade LGBT. "Essas pessoas não foram contratadas somente por causa de sua orientação sexual. A questão é que a gente acredita que qualquer negócio deve ter visões de mundo diferentes para crescer, deve ter a visão da diversidade", pontua Vilas Boas.

O projeto também nasceu da vontade de criar uma alternativa de trabalho a uma população estigmatizada. "Existe uma classe da comunidade LGBT que é ainda mais marginalizada e, muitas vezes, não consegue uma colocação no mercado de trabalho, como as travestis que, por falta de opção, acabam tendo que recorrer à prostituição. Quando a gente fala em inclusão, estamos dizendo ao mesmo tempo que existe a exclusão de uma classe. E só entende isso quem sente na pele. Por isso desejamos criar uma forma em que essas pessoas tenham uma oportunidade de trabalho e se sintam seguras e incluídas", conclui.

Como funciona

O aplicativo já está disponível na Google Store e na Apple Store dos smartphones e pode ser baixado gratuitamente. O funcionamento é semelhante aos demais aplicativos de mobilidade, também conta com três opções de serviço, como o driver, o executivo e o luxo, e sistema de geolocalização pelo Google. São três formas de pagamento, sendo dinheiro, crédito e pré-pago, que permite ao usuário reservar uma quantia em uma espécie de carteira virtual para ser utilizada quando acionar a plataforma.