A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, uma das mais famosas e conhecidas de Ouro Preto, na região Central de Minas, foi atingida por um princípio de incêndio, na madrugada desta segunda-feira (11). O templo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan),  está sendo avaliado por técnicos do órgão, que vão mensurar os estragos provocados pelo fogo.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, as chamas tiveram início por volta das 4 horas e, imediatamente, militares foram até o local. Lá, combateram o incêndio e constataram que somente uma porta lateral foi destruída pelo fogo. Mesmo com dimensões menores, a perícia foi acionada para vistoriar a igreja.

Conforme a assessoria de imprensa da Polícia Civil (PC), foi feita a perícia técnica no local e os primeiros levantamentos para tentar identificar a causa das chamas já estão sendo feitas. Mais detalhes não foram divulgados pela corporação. 

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos foi construída em 1765. É considerada um dos marcos da arquitetura barroca e o autor da igreja é desconhecido. O local tem imagens atribuídas a Padre Félix, irmão mais velho de Aleijadinho.

Arquidiocese

Procurada pelo Hoje em Dia, a Arquidiocese de Mariana, responsável pelo templo, divulgou uma nota na tarde desta segunda falando sobre o princípio de incêndio, que teria ocorrido por volta das 3h40. "O incêndio foi, prontamente, debelado graças à ação imediata da Corporação dos Bombeiros e atuação conjunta da Polícia Militar, avisados, a tempo, por um taxista que passava pelo local e que se deparou com o início deste sinistro", diz o texto divulgado. 

Ainda conforme a entidade, as causas estão sendo apuradas, mas sabe-se a princípio que o fogo foi produzido do lado de fora, próximo à porta lateral, destruindo a mesma em questão de minutos. "Por muito pouco, a perda seria de proporções incalculáveis, com a destruição de um dos templos mais representativos e emblemáticos da arte barroca mineira", completa a Arquidiocese. 

Quando as chamas foram controladas, foi feita a comunicação oficial do ocorrido à Arquidiocese, ao Iphan, à Prefeitura de Ouro Preto e à Secretaria Estadual de Cultura. A arquidiocese  também tomou medidas emergenciais visando preservar a área atingida, para a perícia, e os primeiros encaminhamentos para resguardar a segurança do tempo religioso e para a reparação do dano ocorrido. 

"O fato, que lamentamos profundamente, torna-se um alerta a mostrar a necessidade de se envidar esforços, ainda maiores, de caráter preventivo, mobilizando os poderes públicos, os órgãos de preservação histórica e artística de igrejas, para uma maior seguridade e preservação do precioso acervo histórico, artístico, cultural e religioso que, como um legado, nos é confiado, a partir desta cidade Patrimônio Cultural da Humanidade", conclui a nota, assinada pelo padre Marcelo Moreira Santiago, pároco da igreja, e por Carlos José Aparecido de Oliveira, Diretor do Museu de Arte Sacra de Ouro Preto.

Leia na íntegra a nota do Iphan sobre o ocorrido:

"Na manhã desta segunda feira (11), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi informado pela Paróquia Nossa Senhora do Pilar sobre um incêndio na Igreja do Rosário. O Iphan realizou uma vistoria no local e confirmou que apenas a primeira porta da nave, do lado esquerdo, se perdeu com o incidente e que não houve nenhum outro dano às cantarias ou alvenarias de pedra. Também não houve nenhum dano aos elementos artísticos do interior da igreja, onde foram encontrados apenas os resíduos do incêndio (como fuligem e poeira).Um relatório com o laudo do Iphan será encaminhado às autoridades responsáveis, para que então seja indicada a causa do incêndio. A Paróquia já está providenciando uma porta provisória em tapume, para evitar que o monumento fique exposto durante o processo de reconstrução e substituição da porta afetada pelo incêndio.

 Segundo informações do Arquivo Noronha Santos, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi formalmente constituída em 1715 e, em 1761, obteve do Senado da Câmara, concessão de um amplo terreno, onde foi construída a atual Igreja do Rosário, cujo risco é atribuído ao artista Antônio Pereira Sousa Calheiros. Diante da lacuna na documentação, não se pode datar com precisão a época de início das obras. Pode-se, entretanto, com base no testamento do mestre de obras José Pereira dos Santos, inferir que as obras já se encontravam bastante adiantadas em meados de 1762. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário é considerada pelos especialistas como a expressão máxima do barroco colonial mineiro. Foi tombada pelo Iphan ainda em 1939, e o tombamento inclui o templo e todo seu acervo.

Atualmente, não há previsão de intervenção na Igreja por parte do Iphan. A última grande obra no templo foi realizada há muitos anos e as informações devem ser adquiridas diretamente com a Paróquia.

Todavia, é importante destacar que o tombamento federal é um instrumento que reconhece um bem como Patrimônio Cultural Brasileiro, ou seja, é um reconhecimento do Estado de que este bem tem relevância nacional.  Contudo, a responsabilidade por sua conservação, uso e gestão continua sendo dos proprietários. Isso vale para qualquer bem tombado, seja de uso público ou privado. O tombamento também não interfere nas competências institucionais de outras esferas, como as Prefeituras, Governos Estaduais e outras áreas do Governo Federal"

(com informações de Bruno Inácio)