Nesta sexta-feira (2), completam-se cinco dias de combate ao grande incêndio que consome a fauna e flora da Serra do Cipó, na região Central de Minas. Pelo menos 115 bombeiros, brigadistas e voluntários trabalham em três frentes de combate, contando ainda com um helicóptero e dois aviões do tipo “Air Tractor”.

Porém, além da devastação natural, o incêndio afeta também o turismo dos distritos do município de Santana do Riacho, muito procurados em fins de semana de calor intenso? O porta-voz do Corpo de Bombeiros, Pedro Aihara, afirma que não. Segundo o militar, a área afetada pelas chamas está distante das regiões ocupadas por casas, em especial, o distrito Serra do Cipó, famoso por suas cachoeiras, hotéis e pousadas.

“Pode haver uma alteração na qualidade das águas das cachoeiras e no ar, mas não há um impedimento para o turismo no momento. Recomendamos para as pessoas que forem até Santana do Riacho que liguem antes para o local onde vão ficar hospedados para saber como está a situação”, afirmou o tenente.

O clube da ACM-Minas, onde fica a cachoeira Véu da Noiva, é uma das atrações do distrito Serra do Cipó que está aberta para visitação. A reportagem tentou contato telefônico com a administração da Cachoeira Grande, mas ninguém atendeu. 

Já o Parque Nacional da Serra do Cipó teve sua visitação interrompida na quarta-feira (31), pelo ICMBio, devido ao incêndio. A visitação havia sido interrompida em março, por causa da pandemia de Covid-19, e retomada no dia 24 de setembro, com limitação de 150 visitantes por dia. A reabertura só acontecerá depois que o incêndio for controlado.

As informações estão sendo publicadas no perfil oficial do parque no Instagram:

Em Santana do Riacho, há 24 casos confirmados de Covid-19 e nenhuma morte pela doença. As atrações turísticas da cidade receberam aval para funcionamento após decreto municipal publicado no dia 11 de setembro. Todos devem seguir protocolos de segurança e limitar a entrada de visitantes. 

Ajuda de avião

Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate ao incêndio na Serra do Cipó está contando com um novo avião, do modelo Air Tractor, que tem capacidade para espalhar três mil litros de água de forma fracionada, ou apenas em um ponto específico – volume bem maior do que o transportado por um helicóptero, capaz de carregar 400 litros em “bambi bucket” (cestos).

A aeronave fabricada no Texas (EUA) reduz o tempo de combate na operação e gera mais segurança para as equipes em solo. Conforme os bombeiros, o lançamento da água é administrado por um computador que ajusta a descarga nos focos de incêndio, controlando assim as chamas em determinados locais.

Antes da Serra do Cipó, já foi utilizado em incêndios nos parques nacionais da Canastra e do Ibitipoca.

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