O Corpo de Bombeiros atendeu a 219 ocorrências de incêndio em edificações comerciais nos quatro primeiros meses do ano em Minas. O número é 42% maior em relação ao mesmo período de 2018 e equivale à média de um chamado por dia.

Ontem, a história se repetiu em Belo Horizonte. A sala onde funcionava um escritório de contabilidade, no 20º andar do edifício Clemente de Faria, no hipercentro, foi consumida pelas chamas e deixou pelo menos dez pessoas intoxicadas pela fumaça. 

O fogo teria começado em um espaço onde ficam os arquivos da empresa, motivado por pane no sistema de climatização. O prédio, da década de 1950, não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). 

O documento depende da conclusão de adaptações solicitadas pelos militares para que a edificação não ofereça riscos aos usuários. Só depois de verificar se as mudanças estão adequadas é que a corporação emite a liberação. 

De acordo com a tenente Mariane de Lourdes Silva, o edifício Clemente de Faria, devido ao tamanho, deveria contar com brigada de incêndio e alarme, além de detectores de fumaça e saídas de emergência sinalizadas. No entanto, nada disso foi verificado no local. 

Ela garante que o problema é comum na maior parte das edificações que passam por incêndios no Estado. “Os extintores, mesmo em quantidades inadequadas, geralmente existem. Já as outras obrigações são raras de se ver”, destaca. 

A tenente ainda ressalta que, nos estabelecimentos comerciais, os curtos-circuitos são a causa mais comum das ocorrências. Já nas residências, o uso de velas e de panelas, esquecidas no fogão, estão entre os principais motivos.

“A interdição acontece apenas quando há dano estrutural e um risco iminente de desabamento. No caso do edifício Clemente de Faria, isso não foi detectado até o momento e a verificação será feita, posteriormente, junto à Defesa Civil”, esclarece Mariana. 

Multa

Apesar das melhorias de segurança não terem sido realizadas no imóvel, o projeto prévio que serviria para orientar as alterações chegou a ser elaborado e aprovado pelos Bombeiros em 2016. 
No ano passado, o prédio foi multado em R$4.877,10 pela falta do AVCB, segundo relato do capitão Vinícius Fulgêncio, comandante da Cia de Prevenção e Vistoria do 1°Batalhão da corporação.

“Apesar de já ter o projeto aprovado, não há um prazo para que o edifício cumpra as medidas previstas para a obtenção do AVCB. O que acontece é que ele fica sempre sujeito à multa”, esclarece o capitão.

Precariedade

Diretor da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas (Aspra), o sargento Maurício de Barros explica que a má conservação dos prédios é uma característica comum nas ocorrências atendidas. 

“Falta zelo por parte dos responsáveis. Quando acontece um curto-circuito, por exemplo, a destruição é grande”, analisa. 

A Defesa Civil informou que a vistoria do Clemente de Faria será realizada hoje, após a conclusão do serviço de rescaldo pelos Bombeiros. A reportagem tentou contato com o síndico do prédio, mas ele afirmou que ainda precisava entender melhor a situação antes de se manifestar.

Leia também:
Perícia da Defesa Civil aponta que não houve danos estruturais a prédio que pegou fogo na Praça 7
Prédio histórico que pegou fogo na Praça 7 não tinha Auto de Vistoria dos bombeiros
Incêndio no 20º andar de prédio da Praça 7 deixa nove vítimas e trânsito caótico; veja vídeos

(*) Colaborou Daniele Franco