Depois de 79 dias sem precipitações significativas, levando a umidade relativa do ar na capital e Região Metropolitana atingir níveis alarmantes, os incêndios florestais voltam a preocupar. Na Serra do Cipó, na RMBH, foram registradas, nos últimos dias, várias queimadas, sendo que o foco mais preocupante atingiu 49 hectares, em uma área próxima a um perímetro de ocorrência da Vellozia giganteas, popularmente conhecida como canela-de-ema, espécie de planta endêmica da região. 

O incêndio foi controlado com a ajuda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que combateu as chamas por 11 horas e meia. Mesmo com a queimada controlada, as espécies da fauna e flora da Serra do Cipó corre risco de novos incêndios florestais, devido ao tempo e à vegetação secos, ventos fortes e à ação de pessoas que iniciam incêndios criminosos.
 
De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, somente nos sete primeiros meses de 2016, os incêndios destruíram 1.301,87 hectares de matas no Estado, o que representa um aumento de 30,39% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o fogo devastou 998,48 hectares.
 
A grande preocupação é com as espécies endêmicas da Serra do Cipó. Entre as plantas, destacam-se as “sempre-vivas”, da família das Eriocaulaceae, além de representantes das famílias Melastomataceae e Xiridáceas. Já a fauna apresenta exemplares exclusivos de pássaros, como o João Bobo, o beija-flor de gravata, entre outras naturais da região. A Serra abriga campos rupestres de elevadíssima diversidade florística e onde alguns cientistas consideram que se concentra uma das mais ricas comunidades vegetais do mundo.