Nem a chuva desanimou os doze cadeirantes que formam a Bateria Arredondante, fruto da parceria entre o bloco Quando Come se Lambuza e a cervejaria Skol. Eles desfilaram na manhã deste sábado na avida Afonso Pena, no Centro de BH.

O desfile contou com uma estrutura móvel, que permitiu que os músicos fossem levados com bateria. A plataforma serviu como um ponto de apoio. Afinal, os integrantes puderam escolher se ficariam nela ou ao lado dos demais integrantes da bateria.

“Estamos mostrando ao mundo que as pessoas com deficiência gostam de participar e estar junto com a galera. Tocar no bloco tem sido uma experiência maravilhosa”, diz o analista de sistemas Edson Rosa, cadeirante há 14 anos.

Cadeirante há 12 anos, Eduardo Silva afirma que a iniciativa deu a ele a oportunidade de curtir o Carnaval com a família completa, tocando ao lado da mulher e dos filhos com segurança e acessibilidade. “É muito difícil encontrar projetos de inclusão que nos trate como igual, sem nos colocar separados em um espaço qualquer”, ressalta.

Thiago Freitas, analista comercial, não era folião ativo no Carnaval, mas uma chama acendeu em seu peito quando, em 2018, foi convidado para ficar pertinho da bateria durante um desfile carnavalesco. “Fiquei tão empolgado que quis fazer parte, mas infelizmente os ensaios não eram acessíveis. Enxerguei uma porta se abrir para mim quando ouvi falar da bateria inclusiva. O Carnaval de BH está crescendo e ganhando estrutura e isso nos incentiva a participar de todos os movimentos culturais da cidade”, comemora.

Outras iniciativas

A Bateria Arredondante não é a primeira iniciativa de inclusão no Carnaval belo-horizontino. Uma das pioneiras foi o bloco "Todo Mundo Cabe no Mundo", idealizado pelo artista visual Marcelo Xavier, de 69 anos. Desfilando há quatro anos na capital, o bloco traz à tona a pauta da inclusão além da mobilidade. Na bateria, se misturam pessoas com várias diferenças e vários tipos de deficiência.

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