Uma indústria de colchões do Vale do Aço foi alvo de uma fiscalização da Receita Estadual na manhã desta quinta-feira por suspeita de omitir aproximadamente R$ 50 milhões em faturamento e constituir fachada na tentativa de fraudar o fisco.

Denominada "Sono dos Justos 2", a ação cumpriu mandados em Ipatinga com o objetivo de buscar provas de irregularidades. As investigações apontaram que a empresa passou a faturar, em 2020, mais de quatro vezes o valor de suas aquisições, em comparação com períodos anteriores, sem que houvesse mudanças no volume de produção. A suspeita é que houve subfaturamento nas operações realizadas anteriormente.

Segundo a Receita Estadual, os suspeitos constituíram nova empresa em nome de familiares para dar continuidade às operações do empreendimento anterior, que possuía dívidas tributárias. Uma clara tentativa de afastar os credores e blindar o patrimônio dos proprietários. Entretanto, o grupo econômico utilizava a mesma marca de colchões, já consolidada no mercado.

De acordo com a delegada fiscal Vilma Mendes Alves Stoffel, toda a documentação apreendida passará por uma auditoria para apurar os valores sonegados e, posteriormente, a aplicação de multas. "Além de frustrar o ingresso de recursos aos cofres públicos, a omissão de vendas representa concorrência desleal e crime contra a ordem tributária, na medida em que está associada à falta de recolhimento de tributos", afirmou a delegada.

Em 2019, numa primeira fase da "Sono dos Justos", a Receita Estadual também combateu fraudes tributárias no setor varejista de colchões no Norte de Minas.