Parentes de vítimas que morreram por causa do rompimento da Barragem da Mina do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Grande BH, irão se reunir nesta quinta-feira (18) com o Ministério Público do Trabalho (MPT). O encontro, na Câmara Municipal da cidade, às 18h, servirá para esclarecer o acordo firmado com a mineradora para indenização das famílias.

A compensação financeira, definida na última segunda-feira, abrange trabalhadores contratados pela companhia e terceirizados. Cônjuges, filhos, mães e pais dos funcionários receberão R$ 700 mil cada um. 

Desse valor, R$ 500 mil são para reparar o dano moral. O restante refere-se a um seguro adicional por acidente de trabalho. Os irmãos das vítimas também vão receber, individualmente, R$ 150 mil.

Além disso, o dependente receberá pensão mensal vitalícia. O acordo fixa indenização mínima de R$ 800 mil, ainda que a renda mensal acumulada de quem morreu na tragédia não alcance essa projeção, segundo o MPT.

De acordo com Geraldo Emediato de Souza, procurador e coordenador do Grupo Especial de Atuação Finalística, do Ministério Público do Trabalho, criado exclusivamente para acompanhar o caso de Brumadinho “não há risco de não receber. Basta requerer a indenização e ela deverá ser paga em até dez dias, a partir do momento que a Vale for intimada”.

Insatisfação

Apesar do anúncio do pagamento, moradores que perderam familiares e permanecem em Brumadinho não demonstram insatisfação. Conforme mostrado nesta quarta-feira (17) pelo Hoje em Dia, o luto, a desconfiança e a revolta ainda são sentimentos mais relatados por quem vive na cidade.

É o caso de Maria das Dores, de 52 anos, que está há meses afastada do trabalho por problemas de saúde após a perda do filho, que era funcionário da Vale. O rapaz tinha 30 anos e deixou a esposa com quatro filhos. 

Tomando diversos tipos de medicamentos diferentes para conseguir sobreviver, Maria das Dores conta ter perdido a vontade de sair de casa e tem dificuldade até para comer. “Mesmo que a gente ficasse milionário, dinheiro não ocupa esse vazio”.

Perdas

Quem teve somente prejuízos materiais, como casas e comércios em Brumadinho, vai aguardar para ser ressarcido.

Em Mariana, na região Central, muitos atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, ainda esperam pelas indenizações, mesmo passados mais de três anos da tragédia provocada pela Samarco.

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