Por um lado, menos mortes. Por outro, mais doenças. Enquanto os óbitos pelo vírus HIV caíram 10% nos últimos cinco anos em Minas, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o crescimento de 42% dos casos no mesmo período preocupa. Apesar da disponibilidade de tratamentos mais eficazes, especialistas afirmam serem necessárias campanhas de prevenção mais agressivas e direcionadas.

Os números reforçam o alerta contra a enfermidade, já que no próximo sábado é celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids. No Brasil, o combate à doença já é realizado há três décadas.

Com a epidemia registrada na década de 1980, que matou milhões de pessoas em todo o mundo, o assunto passou a receber mais atenção do poder público no Brasil. Porém, a redução de óbitos também pode ter levado os mineiros a “baixar a guarda” em relação à proteção, conforme o presidente do Departamento de Infectologia da Associação Médica de Minas Gerais, Estêvão Urbano.

O médico destaca ser comum muitas pessoas acreditarem que nunca serão infectadas. Por isso, deixam de fazer o uso de preservativos.

Campanhas permanentes e em massa, que mirem a população vulnerável, também são defendidas pelo especialista. “É preciso insistir no ensino para evitar o aumento do número de pacientes”, diz. 

A medida também é defendida pelo infectologista Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da UFMG. Ele aposta na educação sexual em salas de aula do ensino básico até às universidades. “Não pode ficar restrita ao ambiente familiar”.

Por ano, 70 mil testes de HIV, hepatites B e C e sífilis são aplicados em Belo Horizonte, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde

Óbitos

Médicos reforçam que o diagnóstico precoce e o tratamento com medicamentos mais eficazes, como os administrados no país, têm surtido resultados positivos. Esses, inclusive, são fatores apontados por eles para a queda no número de mortes em decorrência do HIV.

A prevenção combinada é uma das apostas para reduzir transmissões pelo vírus. Utilizada em Minas, a metodologia tem como finalidade aplicar testes, fomentar informações e conscientizar a sociedade, principalmente grupos prioritários. São eles: gays, transexuais, profissionais do sexo e parceiros sorodiferentes – quando um está infectado e o outro não.

O método está disponível em unidades básicas de saúde de 495 municípios mineiros, afirma a coordenadora do programa IST/Aids e Hepatites Virais da SES, Mayara Marques Almeida. “Com o diagnóstico precoce, conseguimos atender e também evitar que o vírus seja transmitido”, observa.

Na capital mineira, os números apresentaram queda. Nos últimos três anos, a quantidade de moradores contaminados por Aids diminuiu de 444, em 2016, para 190, em 2018. Já o de mortes, de 131 para 74. 

Coordenadora de Saúde Sexual da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), Jordana Lima explica que os trabalhadores dos centros de saúde de BH são treinados para realizar os testes e indicar o tratamento. “Os Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) fazem todos os procedimentos para diminuir, ainda mais, esses números”, diz. 

Os CTAs estão localizados nas ruas dos Carijós (Centro) e Joaquim Felício (Sagrada Família). Os exames são gratuitos.