A Polícia Civil (PC) apresentou, nesta segunda-feira (15), a conclusão do inquérito sobre um homicídio ocorrido há 19 anos, em Paracatu, na região Noroeste do Estado. A morte de Eustáquio Porto Botelho teria sido uma queima de arquivo. A vítima era funcionário da Cooperativa Agropecuária Vale do Paracatu (Coopervap) e denunciou um milionário esquema de fraude da cooperativa. O suspeito de ser o mandante do crime é Antônio Arquimedes Borges de Oliveira, ex-prefeito de Paracatu e um dos associados da cooperativa.
 
Segundo o delegado Alex Machado, um dos responsáveis pelas investigações, a fraude consistia na adulteração do leite produzido pela cooperativa. Conforme Machado, era acrescentado um grande volume de água ao leite. O produto era vendido para uma empresa localizada em Brasília, também suspeita de estar envolvida no esquema, mas que já não existe mais. 
 
“O pagamento, porém, não era feito diretamente à cooperativa. O dinheiro era aplicado durante 15 dias e o rendimento desse valor era subtraído do montante. Os envolvidos na fraude devolvia para a cooperativa o dinheiro sem a capitalização”. A PC fez uma estimativa de quanto a cooperativa rende atualmente e chegou ao montante de R$ 200 milhões por ano. “Na época, também era um valor milionário”, garante Machado.
 
Antônio Arquimedes disse à reportagem do Hoje em Dia que nunca esteve envolvido com esse crime. “Essa é a maior calúnia feita por uma autoridade (Polícia Civil). Vamos recorrer à Corregedoria (da Polícia Civil) contra o delegado que fez essas acusações”, afirmou Antônio.
 
Antônio Arquimedes também foi candidato a deputado federal nas eleições de 2014, mas perdeu a eleição.
 
O crime
 
O assassinato de Botelho ocorreu em 1995. Na época, a Botelho escreveu uma carta direcionada aos diretores da Coopervap, na qual denunciava a fraude. A vítima ainda escreveu outra carta para a família. “Essa carta dizia que se algo acontecesse com ele era devido à denúncia”, contou o delegado.
 
Botelho foi encontrado morto no matagal de uma chácara, localizada a cerca de dois quilômetros de Paracatu. A perícia da Polícia Civil constatou três perfurações na cabeça da vítima decorrentes de tiros. “Os executores tentaram simular um suicídio, o que foi facilmente descartado. Isso porque os assassinos deixaram a arma do crime na mão esquerda da vítima, mas ele é destro. Além disso, não seria possível que ele desse três tiros na própria cabeça”, explicou o delegado.
 
Testemunhas disseram na época que três pessoas deixaram o corpo de Botelho no matagal. Esses três suspeitos seriam um homem conhecido como "Moisés do São Domingos" ou "Jagunço", Eurípedes Gomes dos Santos e João Luiz Santana Simão. Moisés e João Luiz já faleceram. 
 
A Polícia Civil pediu à Justiça o mandado de prisão de Eurípedes e Antônio Arquimedes. Porém, segundo a corporação, a Justiça ainda não decretou o pedido de prisão.