MONTES CLAROS – O Ministério Público abriu inquérito para apurar as deficiências de vagas de leitos na Unidade de tratamento Intensivo (UTI) Neonatal em Montes Claros. A medida foi tomada após o neurocirur-gião César Felipe Gus-mão denunciar a precariedade no atendimento no Norte de Minas.

Segundo ele, o número de vagas é insuficiente para atender a mais de 1,7 milhão de habitantes. “São pacientes que já nascem com a necessidade de cuidados especiais e não temos como oferecer o atendimento”, disse.

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES) mostram a região em estado de alerta. Em caso de urgência, os pequenos pacientes têm disponíveis 28 leitos, sendo oito na Santa Casa de Misericórdia, dez no Hospital Universitário, ambos em Montes Claros, e dez em Janaúba, número insuficiente. “Como a cidade é referência em tratamento médico, os leitos são insuficientes”, afirmou Gusmão.
 
Novos leitos

A SES reconhece o déficit e planeja aumentar o número de leitos na região. Para isso, serão criados até julho outros 30 leitos divididos em cidades vizinhas: dez para Taiobeiras, dez para Pirapora e mais dez para Brasília de Minas. “O objetivo é fazer com que esses leitos desafoguem o sistema de Montes Claros e que essas cidades consigam atender a demanda de municípios vizinhos”, afirmou o coordenador do Núcleo de Redes de Atendimento à Saúde da SES, Alfredo Prates Neto.

Segundo a secretária municipal de Saúde, Ana Paula de Oliveira Nascimento, um dos problemas é o grande número de cidades assistidas por Montes Claros. “Somos referência para 86 municípios quando o assunto é gestação de alto risco, sobrecarregando todo o sistema”, explicou.

O promotor João Paulo Alvarenga Brant, da Promotoria de Saúde, solicitou às unidades de saúde um parecer a respeito. “Queremos saber se a quantidade de leitos respeita as normas do Ministério da Saúde para fazer um diagnóstico completo da macrorregião Norte”, afirmou.