Alteração do horário de funcionamento, novo espaço para guardar objetos de valor e reforço na segurança do estabelecimento. A sensação de insegurança e o aumento das ocorrências criminosas obrigam a adoção de uma série de medidas por parte dos supermercados de Belo Horizonte, mostra pesquisa divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG). 

O estudo, realizado em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios da capital (Sincovaga-BH), aponta que pelo menos quatro de cada dez lojas tomaram atitudes preventivas nos últimos 12 meses.

Em média, cerca de 20% do faturamento mensal da empresa é gasto com equipamentos de segurança. Dentre os itens mais utilizados estão o circuito interno de TV (38,8%), alarmes (26,6%) e grades nas janelas e nas portas (11,3%).

Tipos de crime
Dentre os atos de violência sofridos, que motivaram as ações preventivas, estão furtos à loja (37,4%), roubo à mão armada aos comerciários (26,8%) e outros assaltos a funcionários sem uso de armas de fogo (11,4%).

O fato de trabalhar até mais tarde ou aos fins de semana favorecem a sensação de insegurança entre os funcionários.

Dono de um supermercado no bairro Prado, na região Oeste da capital mineira, o comerciante Gilson de Deus Lopes, que é também presidente do Sincovaga-BH, conta que após alguns anos sofrendo com roubos decidiu mudar o horário de atendimento.
 
Agora, as portas do estabelecimento são fechadas às 20h, uma hora mais cedo do horário habitual. Ele também investiu no monitoramento do espaço. “Tenho 32 câmeras na loja. Isso ajuda a inibir a ação dos criminosos, mas não resolve”, disse.

Além disso, após reuniões e recomendações da Polícia Militar (PM), o comerciante decidiu diminuir em um terço a quantidade de dinheiro nos caixas do supermercado e instruiu os funcionários a não reagirem e a manterem a calma para evitar atitudes indesejadas dos criminosos que, segundo ele, agem de forma rápida.
Lopes afirma que os policiais militares se mostram disponíveis em conversar e realizam rondas no bairro, mas isso não é suficiente. “O efetivo baixo da PM é um complicador adicional da violência para os comerciantes. Apesar de nos atenderem da melhor forma que conseguem, a gente sabe que ainda não é o ideal e não dá para culpá-los”.

Queixas
A maioria dos empresários do ramo (98,8%) acionou a polícia após o supermercado virar alvo da bandidagem. “Os comerciantes estão acostumados a proceder diante de tais agressões. Essa pesquisa é extremamente útil para orientar as ações de prevenção para segurança”, diz Lopes.

Para ele, os furtos aumentaram em função da situação econômica do país. Ele porém, afirma que ter esperança de que o quadro possa ser revertido em breve.

Na tarde de ontem, a PM foi procurada para que a corporação comentasse a situação. A reportagem entrou em contato por telefone e via e-mail. Porém, a informação passada foi a de que o responsável poderia falar apenas na segunda-feira. 

*com Mariana Durães