No aniversário de 121 anos de BH, a depredação do patrimônio público foi o “presente” dado à população. Nem mesmo as duas lunetas instaladas há menos de uma semana na rua Sapucaí, no bairro Floresta, para celebrar a cidade, resistiram à ação dos criminosos. Ontem, elas amanheceram vandalizadas. Uma delas foi quebrada numa tentativa de furto. A outra, pichada.

A destruição vai se somar às estatísticas registradas pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Neste ano, na metrópole, de janeiro a outubro foram 3.445 atos do tipo – média de 11 por dia.

Funcionário de um estacionamento em frente ao local onde uma das lunetas está instalada na Sapucaí, Gilberto Pereira de Abreu, de 59 anos, lamentou o estrago. Para ele, quem perde é a cidade, uma vez que o atrativo chamou a atenção de muitas pessoas.

“É falta de consciência. Esse tipo de ação não aconteceria se tivessem câmeras de segurança e um patrulhamento mais intenso”, opinou. Gilberto guardou parte do aparelho quebrado e acionou a prefeitura.

A destruição não para por aí. Reaberta há cerca de uma semana, após ser revitalizada, a Praça da Liberdade, na região Centro-Sul, também foi alvo de vandalismo: plantas já foram pisoteadas, irrigadores dos jardins furtados e danificados, além de um bebedouro público que teve a estrutura lateral quebrada.

17 mil atos de vandalismo foram registrados em todo Estado de janeiro a outubro, segundo levantamento da Sesp

Rigor

Sociólogo e pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG, Frederico Marinho defende que um monitoramento mais rigoroso dos vândalos é essencial para que as penalidades cabíveis sejam aplicadas. “Campanhas educativas sozinhas não são suficientes”. 

Para o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori, a presença da Guarda Municipal nos locais onde há equipamentos públicos também é indispensável. “A vigilância existe, mas precisa aumentar”, avalia. 

Por nota, a corporação informou trabalhar de forma constante para coibir crimes e prevenir danos ao patrimônio, com patrulhamento 24 horas por dia e apoio de câmeras.

A Polícia Militar informou que tanto a rua Sapucaí quanto a Praça da Liberdade são alvo de patrulhamentos diários. Para evitar vandalismos, a PM diz que trabalha na identificação dos autores por meio da análise de imagens das câmeras de monitoramento.

"É preciso responsabilizar financeiramente os autores desses ataques” (Frederico Marinho, pesquisador do Crisp)

Bebedouro quebrado praça da liberdade

 Bebedouro da Praça da Liberdade foi quebrado

Manutenção

O presidente da Belotur, Aluizer Malab, diz que as lunetas serão repostas sem custo extra, uma vez que o projeto está em fase de implantação e contempla reparos. “Vamos realizar campanhas de conscientização. Não dá mais para aceitar esse tipo de comportamento”.

Ontem, funcionários da PBH trabalhavam na manutenção dos jardins destruídos na Praça da Liberdade, mas nenhuma intervenção havia no bebedouro quebrado. A MRV Engenharia, nova responsável pelo espaço, afirmou que fará um levantamento dos itens danificados para promover os reparos.