Após quase dez horas de julgamento, o pastor Sidney Eduardo Benjamin - um dos acusados de torturar e matar dois empresários no bairro Sion, Zona Sul de Belo Horizonte, em abril de 2010 - foi condenado no início da noite desta segunda-feira (29), a três anos de reclusão em regime aberto. O caso ficou conhecido como o “Bando da Degola”.
 
A defesa do pastor chegou a pedir pela absolvição do acusado, alegando insuficiência de provas e chegou a alegar que Sidney foi envolvido no crime por “ingenuidade”. No entanto, o conselho de sentença, formado por quatro mulheres e três homens, decidiu pela condenação pela destruição e ocultação de cadáver, além de formação de quadrilha.
 
A sessão foi iniciada às 9h06, no 2º Tribunal do Júri do Fórum Lafayette, e foi presidida pelo juiz substituto Alexandre Cardoso Bandeira. O Ministério Público Estadual foi representado pelo promotor José Geraldo de Oliveira. Já a defesa do pastor foi feita pelos advogados Antônio da Costa Rolim e Neide Duarte Roli.
 
Inicialmente, o advogado Luiz Astolfo Sales Bueno também iria a júri popular nesta segunda. Contudo, o processo foi desmembrado já que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analisa um recurso especial impetrado na corte. A expectativa é que 14 testemunhas, entre defesa e acusação, sejam ouvidas.
 
Conforme o Ministério Público, o mentor do crime foi o estudante de Direito Frederico Flores. Para extorquir e matar os empresários Rayder Rodrigues e Fabiano Ferreira Moura, ele contou com a ajuda com a ajuda de sete pessoas. Dos envolvidos, quatro já foram condenados.
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do MP, o garçom Adrian Gabriel Grigorcea foi o responsável por atrair o genro, Rayder Rodrigues, de 39 anos, ao apartamento de Frederico Costa Flores Carvalho. O dono do imóvel e dois ex-policiais militares, André Bartolomeu e Renato Mozer, amarram e torturam Rayder para conseguir informações sobre contas bancárias das lojas dele.
 
O sócio de Rayder, Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, também foi levado ao apartamento. Ambos foram assinados no local. As vítimas ainda tiveram os dedos e cabeças cortados, para dificultar a identificação. Os corpos foram jogados em uma estrada em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH.
 
No dia seguinte, de acordo com o MP, os réus se reuniram para limpar a cena do crime e realizar um churrasco no apartamento. 
 
Condenação
 
O líder do bando, Frederico Flores, foi julgado em setembro de 2013 e sentenciado a 23 abnos de reclusão por homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, destruição e ocultação de cadáveres e formação de quadrilha. 
 
O ex-policial militar Renato Mozer e o estudante Arlindo Soares Lobo também já foram condenados a penas de 59 e 44 anos de prisão, respectivamente. O garçom Adrian Gabriel Grigorcea foi condenado, em 14 de julho deste ano, a 30 anos de prisão por dois homicídios triplamente qualificados e formação de quadrilha. 
 
Será julgado ainda o policial André Luiz Bartolomeu, em 29 de janeiro de 2015. Já a médica Gabriela Corrêa Ferreira da Costa, que responde em liberdade, está com júri marcado para 30 de outubro de 2014. Com o desmembramento o julgamento do advogado Luiz Astolfo Sales Bueno não tem nada definida.