O representante do movimento Brigadas Populares, Frei Gilvander, afirmou na noite desta terça-feira (12), que as ocupações da Granja Werneck vão resistir ao despejo marcado para acontecer nesta quarta-feira (13). O anúncio foi feito após o movimento publicar nas redes sociais o ofício do Comando de Policiamento Especializado (CPE) destinado à promotora Nívia Mônica da Silva, que é coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Direitos Humanos. O ofício comunica o despejo para esta quarta-feira, a partir das 6h, das três ocupações do terreno da Granja Werneck, na região do Isidoro, região Norte de Belo Horizonte. 
 
A ordem de despejo foi determinada pela Justiça e será cumprida pela Polícia Militar. “Vamos resistir de forma pacífica, mas como são mais de oito mil famílias temo que alguém perca a cabeça e faça alguma besteira”, disse Frei Gilvander. 
 
O representante pediu para que o governo estadual e a Justiça suspenda a ordem de despejo pelo menos provisoriamente. “Estamos clamando, pedindo pelo amor de Deus que a ordem seja suspensa. O risco de acontecer um massacre nesta quarta-feira é grande. São milhares de pessoas envolvidas. Existe um estresse por parte da Polícia Militar”.
 
 
Manifestação
 
Nesta terça-feira (12), cerca de 40 moradores dos terrenos da Granja Werneck, na região do Isidoro, zona Norte de Belo Horizonte, se acorrentaram em frente ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Os manifestantes protestaram contra a ordem de despejo de oito mil famílias expedidas pela Justiça. A manifestação começou pela manhã e terminou por volta das 21h desta terça.
 
O  objetivo da manifestação foi o de pressionar para que a ordem de despejo das oito mil famílias que vivem na região sejam suspendidas.Os representantes do movimento queriam ser recebidos pelo presidente do TJMG, Pedro Bitencourt, e pelo governador Alberto Pinto Coelho com a finalidade de estabelecer uma mesa de negociações. 
 
O governo federal prometeu auxiliar, mas, em um primeiro momento, pede que o prazo de reintegração de posse seja estendido. “Não há para onde essas famílias irem. O município passou alguns galpões, mas não são adequados. A situação é grave e urgente”, diz o ouvidor nacional Bruno Renato Teixeira.
  
 
Juíza que determinou o despejo de ocupantes terá 72 horas para entregar documentos do processo
 
A juíza Luzia Divina de Paula Peixoto terá 72 horas, a partir desta quinta-feira (14), para entregar à 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) todas as atas de reuniões e despachos proferidos por ela sobre a reintegração de posse dos terrenos invadidos na região do Isidoro, na zona Norte de Belo Horizonte. A documentação será analisada pela desembargadora Selma Maria Marques de Souza, que avalia recurso impetrado pelo Ministério Público (MP) pedindo o afastamento da juíza.
 
Apesar de o despacho da desembargadora ter sido proferido nesta terça-feira, ele só passará a valer a partir de quinta-feira, quando será publicado no Diário do Judiciário. Somente após a entrega da documentação é que o pedido de afastamento de Luzia Divina de Paula será analisado. 
 
 
Reforço
 
A Polícia Militar intensificou a preparação para cumprir a determinação de tirar 2.507 famílias de uma área conhecida como Isidoro. O terreno, da prefeitura, é destinado à construção de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, e foi invadido há um ano e três meses. Na segunda-feira, mais 400 policiais militares do interior do Estado chegaram à capital e receberam treinamento especial no estádio Independência.
 
Eles se juntam a outros 1.500 militares já designados para o cumprimento da ordem de despejo. Uma fonte da PM informou que a ação deveria ocorrer ainda na madrugada desta terça-feira.