Fazer intercâmbio durante a graduação pode ser ótima pedida para quem quer conhecer outra cultura e ainda aprimorar conhecimentos na área de interesse. Do Brasil, 365 mil estudantes embarcaram para temporadas de estudo no exterior ano passado –aumento de 20% na comparação com 2017. Os dados são da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio (Belta).

Muitas empresas, na hora da contratação, costumam dar preferência a candidatos que têm esse diferencial. Não apenas pelo domínio de outro idioma, mas por todo o processo de crescimento pessoal que uma experiência dessas proporciona. 
Para especialistas, além dos pontos a mais no currículo, passar um tempo em outro país significa sair da zona de conforto, aprender a se virar e amadurecer.

Segundo Rodrigo Lins, empresário e escritor que fala sobre a internacionalização de carreiras, quem vive um tempo fora do Brasil também cresce como ser humano. “Independentemente do resultado, o jovem vai passar por um processo positivo de absorção de conhecimento, mas também de maturidade”, diz. Com essa bagagem, os estudantes acabam saindo na frente dos demais profissionais.

De acordo com Thiago Muniz, diretor das Faculdades Promove, o intercâmbio é tanto uma experiência que enriquece o currículo para trabalhar no Brasil como uma oportunidade de acesso a um mercado de trabalho cada vez mais global. É importante lembrar que não há um período certo para a experiência no exterior, mas é recomendável que o aluno fique ao menos de dois a três meses para ampliar a vivência. 

Apoio

Quem acredita que o intercâmbio está muito distante devido ao custo financeiro não deve desanimar. Algumas universidades possuem parcerias com centros de estudo estrangeiros ou oferecem bolsas de custeio total ou parcial.

Para o chef Jackson Cabral, coordenador do curso de gastronomia das Faculdades Promove, é importante que centros de ensino apoiem e criem convênios para facilitar o processo. Em parceria com a empresa SQM, que comanda várias cozinhas em Portugal, o professor já levou mais de 25 alunos para experiências de três meses no país europeu. “Isso aumenta a criatividade. Amplia a visão tanto do segmento e mercado quanto do universo do empreendedorismo. O aluno pode ter inspiração do que trazer para o Brasil ou visualizar o que pode levar para fora”, diz.

Gastróloga formada nas Faculdades Promove, Liliana Dias Brum, de 33 anos, não pensou duas vezes quando soube que poderia embarcar para a Europa. A temporada em Portugal foi de dezembro de 2017 a março de 2018. “Não há livros que ensinem, nem nada que se compare à convivência com pessoas de diferentes lugares do mundo. A viagem me deu a oportunidade de vivenciar e aprender técnicas, como desenvolvimento e análises de produtos lácteos, muito comuns na Europa. O intercâmbio me levou a trabalhar com isso hoje, além do serviço de consultoria de cardápios para restaurantes”, conta.

Carreira

Conforme os dados da Belta, curso de idioma, de idioma com trabalho temporário e formações de férias são as opções mais procuradas. No entanto, especialistas percebem aumento de interesse por graduação, pós e até mestrado e doutorado lá fora.

Segundo Rodrigo Lins, no cenário atual o intercâmbio também pode ser ferramenta para a internacionalização da carreira. A possibilidade de se tornar conhecido, aumentar o networking e ser convidado a ficar ou voltar ao país com uma boa proposta de emprego é real para aqueles que se dedicam e se destacam, garante o especialista.