A mudança comportamental típica da adolescência e o avanço vertiginoso das redes sociais motivam, cada vez mais, a procura de jovens de 13 a 18 anos por cirurgias plásticas. O aumento das mamas e a rinoplastia estão entre as mais procuradas, de acordo com especialistas.

No consultório de Pedro Nery Bersan, cirurgião plástico do Hospital Madre Teresa, mudanças no nariz e na boca são as demandas que mais apresentaram crescimento nos últimos tempos nessa faixa etária. 

“Essa onda de selfies, que acabam registrando o rosto da gente de uma forma diferente em função da forma de captação da imagem pelas câmeras, provocou, inclusive, uma alteração de padrão na cirurgia. É um fenômeno no mundo inteiro, querem um resultado que fique bem na foto”, destaca o médico.

O especialista afirma ser necessário o término da fase de crescimento para que a intervenção seja realizada. “Temos que estabelecer parâmetros de segurança, a região operada precisa estar consolidada. Se antes, podemos atrapalhar a estrutura do local. O nariz pode continuar se desenvolvendo de forma desordenada, por exemplo”, alerta Bersan.

Orientação cumprida pela estudante universitária Ana Nascimento. Desde os 13, ela se incomodava com um ossinho no nariz, mas esperou quatro anos para realizar a cirurgia. “Passei a me incomodar com a estética naquela época da adolescência em que você começa a se importar mais com a aparência”, conta. Hoje, aos 22, ela tem a convicção de que acertou na escolha. “Melhorou minha autoestima e adquiri mais confiança”, diz.

Silicone

Apesar de a rinoplastia ocupar lugar de destaque nesse cenário, é a mamoplastia de aumento a campeã de pedidos. Tanto é que o Brasil ocupa o primeiro lugar mundial na realização de operações desse tipo entre meninas de 17 anos ou menos, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). Do total de intervenções feitas nessa faixa etária, cerca de 35% correspondem à colocação de próteses.

Conforme o cirurgião plástico Gustavo Aquino, há procura de meninas a partir dos 15 anos para implantação de silicone. “Muitas têm a proporção e o volume certos e não sabem dizer o motivo de querer uma prótese. Parece até uma necessidade, para que se sintam dentro da curva. Já deixei de operar várias depois de explicar que elas tinham uma mama perfeita. Ouvindo o especialista, ficam mais tranquilas”, relata.

Quando há o real desejo de mudança, o médico usa de tecnologia para mostrar o provável resultado. “Utilizamos um simulador 3D que apresenta, em realidade virtual, como ficarão nariz, mama, abdômen, queixo, etc. É realizado um escaneamento do paciente”, explica.

Consciência

A orientação médica é essencial para que a intervenção seja realizada de forma consciente, expõe a médica Ian Leite Duarte, secretária da Regional Minas Gerais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

“Temos conversado com os pacientes para que não entrem em modismos, lembrando que terão mudanças corporais durante toda a vida. Além disso, mostramos que as expectativas que têm não correspondem à realidade que podemos dar”, afirma a especialista, que acrescenta a necessidade do entendimento de que cada corpo se comporta de uma forma, “não é a mesma coisa para todo mundo”.

De acordo com o cirurgião plástico Marcelo Versiani, cabe ao profissional ser um verdadeiro guardião da saúde do paciente. “Quando as expectativas depositadas são exacerbadas, os riscos de uma frustração com o tratamento são expressivos, seja qual for a idade. É preciso haver comunicação ampla e saudável entre médico e paciente. É dever do profissional orientar sobre vantagens e desvantagens”, explica.

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