A invasão do Capitólio, sede do Congresso americano em Washington, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (6), durante a contagem oficial dos votos do Colégio Eleitoral definidos nas eleições presidenciais, por um grupo de apoiadores do presidente Donald Trump, assustou americanos e brasileiros que moram no país.

Michael Jones, de 68 anos, é aposentado e mora em Maryland, no subúrbio da capital, e acompanhou tudo pela televisão. "Tudo está tenso. Estamos chocados com os eventos pelos desordeiros, foi uma revolta, uma tentativa de golpe de Estado".

Durante a manifestação houve vandalismo e uma porta de vidro foi quebrada. A polícia do Capitólio disparou gás lacrimogêneo e alguns guardas foram feridos. No entanto, parte da imprensa americana criticou a ação. Jones também questiona a resposta da autoridade policial. "Parece que a atuação não foi suficiente para restaurar a ordem rapidamente. Mas, talvez, eles estivessem tentando evitar mais violência".  
  
A prefeita da capital estadunidense, Muriel Bowser, decretou toque de recolher de 12 horas em Washington a partir das 18h (20h de Brasília) desta quarta. "Durante o horário do toque de recolher, nenhuma pessoa, exceto quem for designado pela prefeita, deve caminhar, andar de bicicleta, correr, circular, ficar parado e andar de carro ou qualquer outro meio de transporte em nenhuma rua, beco, parque ou lugares públicos dentro do distrito de Columbia", aponta o trecho do decreto.

Uma mulher que foi baleada durante os confrontos morreu após ser socorrida, segundo fontes ouvidas pela emissora NBC. Outro homem, segundo a CNN, estaria em estado crítico após cair de uma altura de nove metros quando escalava um andaime no Capitólio. 

Mais cedo, o presidente Donald Trump fez um discurso de cerca de três horas para a multidão na praça do obelisco de Washington. Ao discursar, ele voltou a dizer que venceu as eleições. "Você não cede quando há roubo envolvido", disse ele. "Nosso país está farto e não vamos aguentar mais", acrescentou. 

Moradora de Nova York há três anos, a jornalista brasileira Clarissa Carvalhaes, de 39 anos, vê com apreensão o desenrolar da situação na democracia mais antiga do mundo. "A posse do Biden é só dia 20 e muita coisa pode rolar até lá. Eu acho que a morte da mulher no Capitólio pode fazer as pessoas repensarem os manifestos. Mas tudo depende muito de como Trump vai agir, porque ele tem uma galera muito alucinada por ele".

Clarissa teme ainda novas investidas de Trump e seus apoiadores para atrapalhar, atrasar e até impedir a posse do democrata Joe Biden. "O medo real é: o que ele vai fazer a partir de agora? O medo é o que o Trump vai fazer, porque ele já disse que não vai sair por bem", finaliza.