A ocupação desordenada da Granja Werneck, na região Norte de Belo Horizonte, tem provocado uma espera ainda maior para a população que aguarda a construção de imóveis populares no local, dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, segundo representantes dos núcleos de moradia da capital. Atualmente, 17 mil famílias cadastradas na Companhia Urbanizadora e de Habitação do município (Urbel) aguardam por uma moradia – algumas delas há mais de duas décadas.

Porém, a presença de ocupantes na área do Granja Werneck, de acordo com a prefeitura, impede a implantação de cerca de 13 mil unidades habitacionais populares. O impasse foi discutido dessa sexta (25), em reunião extraordinária do Conselho Municipal de Habitação.Participaram dos debates representantes de movimentos sociais e moradores dos núcleos organizados.

“Apesar de termos sido citados várias vezes pelos companheiros da ocupação como uma fila fictícia, que não existe, nós instituímos a política habitacional no município. A gente existe, sim, e tem a nossa forma de luta, garantida por meio de lei”, afirmou a representante do Movimento Popular do Conselho, Ednéia Aparecida de Souza

Impactos

Para Nereida Nogueira Santos, do Núcleo Habitacional Taquaril, a espera tem gerado angústia há quase 15 anos. “Moro de favor e em uma área de risco. Agora, a ocupação está tirando nosso direito. Não queremos também tirar o direito de ninguém, apenas garantir o nosso”, disse.

Segundo o presidente da Urbel, Genedempsey Bicalho, o encontro foi pedido pelos próprios coordenadores de núcleos para conhecer a realidade dos ocupantes da região do Isidoro. “Esta não foi uma reunião para debates nem tentativas de encontrar soluções, foi para conhecimento. A partir dele, cada um poderá se posicionar, continuando no núcleo ou participando de um movimento de ocupação”.

Tensão

Um dos momentos mais tensos da reunião ocorreu após a apresentação da conselheira Daniela Muradas, representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo ela, na última quinta-feira, foram feitas denúncias de “indícios de irregularidade e de vício na cadeia dominial (direito de posse)” do terreno.

“Como conselheira, gostaria que fosse aberta uma sindicância, porque eu não quero que iludam os senhores. Quero que vocês tenham direito à moradia e à uma propriedade segura”.

Para o presidente da Urbel, no entanto, a fala de Daniela foi insensata. “Isso é leviandade, não tem outra palavra. Provocou um acirramento nos ânimos em cima de uma verdade até agora não comprovada. Tivemos reuniões no Ministério Público nas quais ele mostrou claramente que a questão dominial do terreno é tranquila, sem problema algum”, garante.