A investigação do caso de racismo sofrido por uma garota negra de Muriaé, na Zona da Mata mineira, no fim de agosto, deverá durar ainda entre seis e oito meses. A demora, segundo a Polícia Civil (PC), é devido a quantidade de pessoas que deverão ser ouvidas. 
 
Cerca de 50 pessoas, com idades entre 15 e 20 anos, foram identificadas como os autores das injúrias raciais, entre eles, alguns com passagens policiais. 
 
O delegado Eduardo Freitas da Silva, responsável pelo inquérito, informou, por meio da assessoria de imprensa da PC, que estuda pedir ajuda da Policia Federal no caso. Nesta semana, começaram a ser enviadas cartas precatórias para ouvir envolvidos que residem em São Paulo no crime e também o pedido de auxílio de delegados paulistas.
 
Relembre o caso
 
A jovem negra foi vítima de racismo no Facebook após postar uma foto com o namorado branco de 18 anos. Um dos perfis que teria insultado a jovem pela rede social, possivelmente fake, o "Capivara Vuadora", postou comentários como: "Onde comprou essa escrava?", que chegou a ter quase 30 curtidas; "Me vende ela" e "Café com leite".
 
A menina ainda foi alvo de outras mensagens preconceituosas como "Tipo assim.. eu acho que você roubou o branco pra tirar foto", "Um branco e uma negona", "Se 'meche' vira nescau" e "Parece até que estão na senzala".
 
O caso ganhou repercussão por meio de um perfil intitulado "Pretinho do Poder", que publicou um "print screen" da imagem e os comentários racistas pedindo por justiça. A publicação teve mais de 19 mil compartilhamentos e quase 150 mil curtidas, além de milhares de mensagens de apoio ao casal.
 
A jovem foi à delegacia prestar queixa no dia 26 de agosto e o inquérito foi instaurado no dia seguinte. Em depoimento, a jovem alegou que não conhece nenhuma das pessoas que postou comentários racistas em sua página.
 
O namorado dela também foi ouvido e disse à polícia que tentou entrar em contato com os usuários que insultaram a sua namorada na rede social. “Ele pediu para que as pessoas não falassem mais aquelas coisas. Mas, como a foto postada estava aberta a todos os usuários do Facebook, pessoas de todo o Estado tiveram acesso ao perfil dela e ele não teve êxito. Já identificamos até uma outra página do Facebook que usa a foto da vítima. Essa página foi criada apenas para insultá-la”, afirmou o delegado Eduardo Silva.
 
*Com informações dos repórteres Cristina Barroca, Danilo Emerich e Thais Oliveira