Foi ouvido, nesta quinta-feira (2), o investigador Luno Eustáquio Costa Campos, de 25 anos, da 8ª Delegacia Especializada de Homicídios de Betim. O policial é um dos suspeitos de matar o também investigador Clenir Freitas da Silva, de 45 anos, da 1ª Delegacia de Betim, em 25 de setembro. Luno, assim como o colega investigador e também suspeito Lucas Menezes Meireles, de 26 anos, está na Casa de Custódia, no bairro Horto, região Leste da capital, desde o dia do homicídio.
 
Segundo o advogado da dupla, Ramos dos Santos, Luno e Lucas não tinham a intenção de matar Silva. Conforme o advogado, no dia do crime, os investigadores estavam empenhados em uma investigação para desarticular o tráfico de drogas no bairro Capelinha, em Betim. O advogado disse ainda que Luno e Lucas usavam uma viatura descaracterizada. Esse veículo havia sido apreendido pela Justiça e era usado pelos policiais da 8ª Delegacia Especializada de Homicídios de Betim.  
 
De acordo com Santos, Clenir usava um boné de aba grande, que quase tapava os seus olhos e uma corrente de prata. “Ele estava com assessórios típicos de um jovem. Acreditamos que o policial estava dessa forma justamente para não ser reconhecido no bairro”. 
 
O advogado alegou que o crime ocorreu quando Luno e Lucas estavam dentro do carro. “Lucas estava estacionando o carro, quando foi abordado por Clenir, que disse: 'perdeu, perdeu. Desce, desce'. Pela forma como o policial estava vestido e pela abordagem equivocada, os dois pensaram se tratar de um criminoso”, afirmou. O advogado alegou que Clenir támbém teria confundido Luno e Lucas com criminosos.
 
Segundo Santos, Lucas teria dado uma arrancada após a abordagem e Clenir teria dado um tiro como sinal de advertência. A dupla, então, atirou contra o policial, que acabou morrendo no hospital. 
 
“Somente quando os dois ligaram para a delegacia informando sobre o ocorrido é que descobriram que Clenir era um investigador da Polícia Civil”, disse Santos. Apesar de já conhecer Clenir, o advogado alegou que Lucas não reconheceu o policial. “Os dois já tinha jogado bola uma ou duas vezes, mas não eram próximos, não eram amigos. Já o Luno não conhecia Clenir”. 
 
Conforme Santos, após o homicídio, os colegas de Clenir levantaram suspeitas de que Luno e Lucas tem um alto padrão de vida. “Mas isso não é verdade. Os dois possuem carros velhos e em financiamento. Luno mora em uma república e Lucas na casa dos pais. Eles não possuem bens de altos valores”. 
 
Na próxima segunda-feira (6), Santos deve entrar com um pedido de revogação da prisão preventiva dos investigadores. De acordo com o advogado, nenhum dos suspeitos possuem passagem pela corregedoria da Polícia Civil.
 
Relembre o caso
 
O assassinato do policial civil ocorreu no fim da noite de 25 de setembro, no bairro Capelinha, no município da região Metropolitana de Belo Horizonte, durante uma operação. Conforme a Polícia Civil, após o crime os suspeitos se apresentaram à corporação e estão recolhidos na Casa de Custódia, no bairro Horto, região Leste da capital, onde permanecerão à disposição da Justiça.
 
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria-Geral "apura as circunstâncias do episódio".
 
Segundo a TV Record, que acompanhou o caso durante a madrugada, uma equipe da Delegacia de Betim trabalhava para desarticular o tráfico de drogas no bairro Capelinha. Os policias haviam abordado um suposto traficante, momento em que um Stilo amarelo passou disparando.
 
Houve troca de tiros e Clenir foi atingido. Ele chegou a ser socorrido e encaminhado para uma unidade de saúde do município, mas não resistiu aos ferimentos. Um ônibus de turismo que estava nas proximidades também foi atingido pelos tiros. 
 
O carro que os suspeitos estavam pertence à Delegacia de Homicídios de Betim e foi encontrado abandonado cerca de 300 metros do local. "Pouco tempo depois (do crime) eles fugiram com o veículo, tiveram nessa rua sem saída e fugiram a pé", contou o delegado Marcos Luciano, que acompanhou a ocorrência.
 
Ainda de acordo com a emissora de TV, informações preliminares indicam que o suposto traficante que foi detido estava com um envelope com aproximadamente R$ 20 mil. A Polícia Civil investiga se o dinheiro seria repassado aos investigadores Lucas e Luno.
 
*Com as repórteres Renata Evangelista e Thais Oliveira