Menos belo-horizontinos estão ficando em isolamento social. Na quarta-feira, o índice de adesão à medida na cidade chegou a 40% – bem abaixo da média de 50% que vinha sendo mantida nos últimos dois meses. A taxa, inclusive, coloca a metrópole em 22º lugar no ranking das capitais com melhores taxas de confinamento no país. BH só não tem números piores que Curitiba, Cuiabá, Goiânia, Campo Grande e Palmas, aponta a empresa de tecnologia In Loco, que faz o monitoramento.

Às vésperas de a prefeitura possivelmente anunciar a reabertura de mais pontos comerciais no principal município mineiro, flexibilização iniciada na segunda-feira, o movimento intenso nas ruas pode colocar em risco o resultado obtido até o momento, alertam especialistas. 

Vale lembrar que, ao anunciar a retomada gradual da economia, na última sexta-feira, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 na capital demonstrou preocupação.

“Confesso que traz um pouco de medo, porque nunca se sabe o que vai acontecer”, disse o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado.

O temor tem justificativa. Na avenida dos Andradas, Leste de BH, por exemplo, nem as grades de proteção para barrar a prática de atividades ao ar livre, durante a pandemia, são obstáculos. Ontem, a reportagem flagrou pessoas caminhando, correndo e andando de patins e bicicleta por lá.

A atitude contraria as recomendações das autoridades de saúde e pode favorecer o contágio pelo novo coronavírus. “Ainda está valendo o fique em casa sempre que possível”, frisa o infectologista Unaí Tupinambás.

Relaxamento
Mas, na avaliação de Luciano Melo, gerente de Dados da In Loco, a tendência é de mais queda no isolamento na metrópole. “A gente não está vendo as pessoas ficando mais isoladas”.

Segundo ele, os moradores respeitaram a quarentena no início porque estavam preocupados e sem saber o que a pandemia poderia ser. Para se ter uma ideia, em 22 de março – dois dias após o decreto do fechamento do comércio na cidade – a taxa de confinamento bateu o recorde de 64% na metrópole.

A cada dia que se passava, porém, a percepção da doença e o comportamento da população foram mudando. “E as pessoas começaram a sair um pouco mais”, destaca Luciano Melo.

Procurada para comentar o assunto, a PBH disse que só se pronunciará hoje.

Além disso
É justamente a adesão ao isolamento social que vem adiando o pico da epidemia de Covid-19 em Minas Gerais. Até ontem previsto para ocorrer em 10 de junho, a expectativa é de que haja estresse no sistema de saúde em meados de julho. A expectativa da Secretaria de Estado de Saúde (SES) é ter, nesse período, de 2 mil a 3 mil casos em um único dia.

De acordo com o titular da pasta, Carlos Eduardo Amaral, passou-se a usar uma metodologia diferente, relacionando o número de casos no território e comparando com o cenário nacional. Ao observar apenas os dados relativos a Minas, que apresenta quantidade de notificações mais baixa que outros estados, a previsão de um estresse no sistema de saúde é projetada para o mês seguinte.

A confirmação da estimativa, destacou o secretário, depende da manutenção das medidas de isolamento e da adesão das prefeituras ao programa desenvolvido pelo Estado para coordenar a reativação da economia. 

Amaral, que no dia anterior afirmou que os novos casos de Covid-19 poderiam dobrar diariamente em Minas, disse ter havido um erro de interpretação em sua fala. Segundo ele, pelo comportamento da epidemia atualmente por aqui, é “pouco provável” que isso aconteça a cada 24 horas.

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