Dois meses após a implantação da quarentena, completados hoje, Belo Horizonte apresenta, segundo especialistas, resultado positivo nas ações para conter o avanço da Covid-19. A principal cidade mineira é a 20ª no ranking entre as capitais com mais casos da doença, conforme a plataforma Dataglass, que acompanha a situação no país com base em informações do Ministério da Saúde.

A colocação é referente aos dados coletados até a última segunda-feira (18). De acordo com a lista, até essa data, o município só estava à frente de Goiânia (GO), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC) e Palmas (TO).

Presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estêvão Urbano afirma que os últimos 60 dias foram cruciais para Belo Horizonte preparar a rede de saúde para receber os pacientes com a doença que surgiu na China no fim de 2019. “Casos (da enfermidade), ocupação de leitos hospitalares e óbitos estão controlados. (A quarentena) Valeu a pena”.

O isolamento social vertical – em que boa parte da população é orientada a ficar em casa e só os serviços essenciais são autorizados a funcionar – é bastante defendido pelo prefeito Alexandre Kalil para que, segundo ele, a metrópole não se torne uma Milão, na Itália.

Lá, uma campanha contra a quarentena chegou a ser amplamente divulgada. O resultado, para especialistas, foi trágico: a cidade europeia viu o número de doentes e mortes crescer rapidamente. Até agora, a localidade registrou quase 227 mil infectados e mais de 32 mil óbitos.

Por aqui, porém, não se pode dizer que a guerra contra a Covid-19 está ganha, alerta Estevão Urbano. “A pandemia ainda está no início”.

Cautela

Em meio a esse cenário, a flexibilização da quarentena e o possível relaxamento da população preocupam o professor Luiz Henrique Duczmal, do Departamento de Estatística da UFMG. 

Membro de um grupo de estudo da universidade que analisa a eficácia do isolamento, o docente reforça que a situação dos belo-horizontinos poderia ser bem diferente se as autoridades não tivessem adotado o distanciamento. “Certamente, estaríamos como Manaus, no Amazonas, que já tem mais de 950 mortes. Lá, a epidemia apareceu e as pessoas não se deram conta, nenhuma medida de distanciamento foi determinada e os casos aumentaram muito rapidamente”.

Mas Luiz Henrique destaca que não está na hora de reduzir o confinamento na capital mineira. O pesquisador embasa seu argumento em dados referentes às internações por Covid-19 coletados de 3 a 9 de maio, período em que, segundo ele, o município teve pico de notificações. Foram 247 solicitações de leitos de enfermaria e terapia intensiva para pacientes com a enfermidade.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde disse que, com “as medidas adotadas por meio do Decreto 17.297, de 17 de março, houve redução na curva de casos notificados e confirmados” na cidade.

“Estamos numa situação de novos casos aparecendo e não se vê tendência de queda. Se reduzir o isolamento agora, teremos aumento de infectados rapidamente” (Luiz Henrique Duczmal - professor da UFMG)

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