Sobre um tabuleiro, o mapa da Grande BH com seis cidades vizinhas da capital mineira. Nas mãos dos jogadores, dinheiro fictício e cartas com instruções. Na memória, raciocínio rápido e estratégias variadas para desatar o nó no trânsito.

Ganha o desafio quem conseguir a maior redução do número de acidentes e quilômetros de congestionamento. Porém, a principal vitória é o engajamento em questões urbanas por meio de práticas pedagógicas.

Sob a orientação do professor de geografia Leonardo Silva, alunos do Colégio Magnum, do bairro Nova Floresta, região Nordeste de Belo Horizonte, criaram um jogo que busca soluções para um local que se transformou em sinônimo de transtorno e impaciência: o trânsito de uma região metropolitana.

Com o sugestivo nome de Metrópolis, a atividade escolar ficou em primeiro lugar no concurso “Your Ideas, Your initiatives”, promovido por uma montadora internacional. A iniciativa mineira concorreu com 77 projetos do mundo inteiro.

Foram necessários três meses para desenvolver o desafio. Segundo o professor Leonardo, os estudantes aprenderam, de forma lúdica, os desafios da gestão do tráfego metropolitano.

Práticas para melhorar a mobilidade urbana e a segurança de pedestres e motoristas, entre os municípios, são desenvolvidas na atividade. Os jogadores podem, por exemplo, criar uma linha intermunicipal de ônibus.

“É um jogo de estratégia. Nosso objetivo é mostrar que gerenciar esse espaço de convivência requer uma série de ações. É possível aumentar as linhas do metrô, por exemplo, mas isso demandará grande investimento. É preciso verba”, explica Leonardo.

Transporte público

Para os estudantes, o Metrópolis foi fundamental para compreender algumas variáveis. Aluna do 2° ano do ensino médio, Alice Domingues de Araújo conta que o jogo destaca a importância dos meios de transporte públicos e de ações que muitas vezes dão questionadas pela população. “Às vezes, um radar, apesar de não ser muito bem aceito pelos motoristas, pode melhorar o tráfego de uma determinada região”, diz.

Henrique Galvão, de 16 anos, também do 2º ano, afirma que a atividade o ajudou a repensar o espaço. “Problemas de mobilidade comuns entre as cidades não podem ser resolvidos isoladamente. É preciso uma série de ações conjuntas, possibilitando transportes interligados, por exemplo. E, claro, sem dinheiro nada se resolve”.

Direto ao ponto

Regras do ‘Metrópolis’

As regras da disputa não são tão simples. O jogo pode levar até duas horas e meia, exigindo raciocínio rápido e preciso. Cada participante representa o gestor de uma cidade da região metropolitana. Eles têm orçamento inicial que pode aumentar dependendo da jogada, como a criação de um tributo. Porém, a sobretaxa impacta diretamente na popularidade do administrador, que precisa estar atento para não sofrer um impeachment. Com a verba limitada, é preciso escolher no que investir. As escolhas são guiadas por cartas com custos e benefícios. Por exemplo: o participante tira um cartão com a possibilidade de implantar um quilômetro de metrô, mas o investimento será alto. Ele pode optar por implantar sinalizações, radares, linhas de ônibus, bicicletário, dentre outras. Cada ação gera uma pontuação no intuito de diminuir os congestionamentos e o número de acidentes. Após o sucesso do projeto, que reuniu alunos do 1° e 2° ano do ensino médio e garantiu uma premiação internacional, o professor Leonardo Silva afirma que existe uma ideia de se criar um aplicativo. A proposta é usar a tecnologia para disseminar a prática pedagógica entre outros alunos.

“É fácil criar um desafio de tabuleiro com dragões e fadas para prender a atenção dos jovens. Difícil é elaborar um jogo capaz de solucionar problemas da cidade” (Rodrigo Prates - Aluno do Ensino Médio)