Um jovem de 22 anos é procurado pela polícia de Catas Altas, na região Central de Minas Gerais, após agredir funcionários da Vale e da prefeitura do município durante uma audiência pública que discutia uma ampliação das estruturas e operação da mineradora no distrito de Morro D'Água Quente. Em vídeo que circula nas redes sociais é possível ver o jovem discursando contra a empresa antes de partir para a agressão contra as vítimas, na noite de segunda-feira (16). 

"Estão acabando com nossa tão pura e preciosa água, que já nem sei se posso dizer pura. Vamos colocar um basta nisso já pessoal, deixar um pouquinho essas ganâncias nossas de lado e passar a zelar mais por nossa natureza. Nossos filhos e netos já estão vindo por aí e também vão desfrutar de tudo isso um dia. Agora, cabe a nós ou não cuidar dela. Pensem bem nisso, eles só querem acabar com o pouco que ainda temos e, depois, é adeus Maria. Isso que eu vou fazer é pelas mais de 200 pessoas inocentes, crianças (vítimas do rompimento da Vale), que eu creio que eles nunca vão pagar", disse o suspeito antes de agredir os funcionários. 

Conforme o registro da Polícia Militar (PM), a audiência pública aconteceu na Escola Municipal João XXIII, localizada no distrito, que seria o mais atingido pela ampliação dos empreendimentos minerários. No Boletim de Ocorrência, os funcionários da Vale afirmaram que o ataque visava atingir a gerente da empresa, identificada como Heloísa, mas que isso aconteceu por ele ter sido contido por outras duas pessoas.

Entretanto, no vídeo é possível ver que em momento nenhum o suspeito tentou atingir a mulher, mas sim o homem que estava sentado ao lado dela, também funcionário da mineradora, e um engenheiro ambiental contratado pela prefeitura, de 36 anos, que tentou intervir nas agressões. 

O homem contratado pela prefeitura disse ainda ter sido ameaçado pelo suspeito momentos antes da confusão. Ele teria dito: "Se você não me passar o microfone, eu quebro você". Após o episódio, o rapaz conseguiu pular pela janela da escola, de uma altura de aproximadamente três metros, e fugiu pelos fundos da escola, não sendo mais localizado pela PM. 

A corporação fez buscas em possíveis locais onde ele poderia estar escondido, porém, ele acabou não sendo encontrado. 

Mineradora e prefeitura repudiam violência 

Procurada pelo Hoje em Dia, a Vale informou que repudia os atos de violência constra seus funcionários durante a audiência pública. "Foi registrado Boletim de Ocorrência e as medidas cabíveis serão tomadas. A empresa esclarece que esteve presente na reunião a convite da Prefeitura da cidade para dialogar com a comunidade do Morro da Água Quente e esclarecer, de forma transparente, todas as dúvidas em relação às operações da empresa na região", conclui o texto. 

Já a Prefeitura de Catas Altas explicou que a audiência havia sido marcada para debater com a comunidade a expansão das atividades da Vale no distrito "não apenas no que concerne ao Patrimônio Histórico e Cultural, mas sim à todas futuras questões consequentes do empreendimento". 

"A empresa pleiteia desde 2015 a expansão na Mina de São Luiz e reabertura das minas de Tamanduá e Almas. Todas as três estão localizadas no distrito do Morro D’Água Quente. A discussão agora volta ao Conselho Municipal de Defesa e Conservação do Meio Ambiente (Codema), que aprovou por unanimidade no último dia 10 de dezembro a revisão da conformidade ambiental dada em 2015", lembra. 

Por fim, o município disse acreditar no diálogo como ferramenta fundamental da democracia, de modo a manter um relacionamento próximo de transparente com a comunidade. "Além disso, reforça que é contra qualquer tipo de violência", conclui. 

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