Foram condenadas pela Justiça 16 das 18 pessoas denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por envolvimento com o tráfico de drogas, organização criminosa e extorsão na Vila Ideal, em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Entre os sentenciados está o líder da facção, que recebeu uma pena de 31 anos de reclusão em regime fechado. 

Segundo a promotoria, além do líder, também foram condenados os três gerentes da organização, com penas de 14 a 17 anos de prisão, e outros integrantes, que cumprirão entre 5 e 13 anos. 

"De acordo com as investigações, em 2017, os criminosos se associaram para traficar drogas e extorquir os comerciantes da Vila Ideal. O grupo era formado por um chefe, que comandava a facção a distância; por três gerentes, que organizavam o tráfico e a extorsão na região; por quatro guardadores de entorpecentes, armas e rádios comunicadores, sendo dois deles inocentados pela Justiça; por quatro embaladores de cocaína, crack e maconha; por um fornecedor das embalagens; por três responsáveis por vender as drogas e por dois que recolhiam o dinheiro das extorsões", aponta o MPMG. 

Ainda segundo o órgão, a extorsão de comerciantes da região ocorria desde 2007, sendo que o chefe condenado assumiu o posto após a morte de seu irmão, que comandava a facção até então. As investigações apontaram ainda que o grupo tinha ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), maior organização criminosa do país. 

Um dos condenados, que gerenciava o tráfico, foi preso em agosto de 2017 por porte de documento falso e por ter em aberto um mandado de prisão por homicídio, quando tentava sair do Estado pelo aeroporto de Confins, também na Grande BH. Na denúncia entregue à Justiça, os promotores Luiz Felipe Cheib e Manuela Xavier Faria citaram várias apreensões de drogas com os suspeitos ocorridas no ano da prisão deste integrante.

"Em 30 de agosto foi apreendido um quilo de maconha na rua Bica; em 12 de setembro, foram 79 pinos de cocaína, uma arma de fogo e várias munições na rua Pau-brasil; em 19 e 20 de setembro, na rua Vista Alegre, foram 2.956 buchas de maconha recolhidas. Nesta última abordagem, o grupo teria se comunicado por celular sobre as apreensões, o que teria ajudado as investigações, uma vez que os aparelhos estavam grampeados com autorização da Justiça", diz a denúncia. 

Prisão do líder 

O líder da facção criminosa que espalhava o terror na região foi detido no dia 24 de outubro de 2017, durante uma operação do Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Na ocasião foram apreendidos mais de três quilos de cocaína e dois rádios comunicadores na casa de um dos integrantes da facção criminosa e, com o chefe do bando, foram achadas uma pistola calibre 380, 19 cartuchos, um silenciador e dois carregadores. Uma pistola de calibre 9 mm e três carregadores ainda foram encontrados com outro membro. Ao todo, 11 pessoas foram presas e seis conduzidas coercitivamente. 

"Além do tráfico de drogas e da extorsão, a organização criminosa atuava como milícia, aplicando castigos, determinando quem podia morar na comunidade, obrigando moradores a guardar drogas e controlando o acesso aos serviços médicos de emergência na Vila Ideal", apontaram os promotores. 

Já sobre os casos de extorsão, os autores da denúncia citaram dois episódios:  Em um deles um comerciante do bairro teve dois veículos queimados após se negar a dar dinheiro à organização em troca de proteção. Em outro, um interessado em instalar revenda de gás foi impedido porque o grupo controlaria esse tipo de comércio no local.

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