A Justiça mineira decidiu, nesta terça-feira (11), que o acusado pela morte da estudante Isabella Perdigão, aos 22 anos, no bairro Coração Eucarístico, deverá permanecer internado em um hospital psiquiátrico. A decisão é dos desembargadores da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que mantiveram a aplicação de medida de segurança, conforme havia sido decidido em Primeira Instância. Nesta terça, o recurso do réu para ser liberado da internação foi julgado. 

O crime aconteceu em abril de 2017, quando a estudante estava sentada em seu carro, dentro da garagem do prédio em que morava, e foi atacada pelo acusado, vizinho dela, com vários golpes de faca. O pai da jovem também foi esfaqueado ao tentar defender a filha, que acabou morrendo a caminho do hospital. 

E a mãe da estudante também foi agredida por ele e teve diversas lesões corporais. Durante as investigações, foi constatado, ainda, que o homem também tinha a intenção de matar a irmã de Isabella, colocando fogo no apartamento, mas que a chegada dos policiais militares o impediu. 

O réu havia recorrido contra a decisão da juíza Âmalim Aziz Sant'ana, pedindo que a medida de segurança de internação fosse alterada para tratamento ambulatorial.   

Mas de acordo com a relatora do processo, desembargadora Denise Pinho da Costa Val, apesar de ter apresentado um laudo que o associa a uma perturbação de saúde mental e, portanto, incapaz de entender o ato ilícito do fato, ele responde pela prática de homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado, por duas vezes, e lesão corporal.

Segundo a magistrada, a periculosidade do acusado pode ser constatada pela própria gravidade dos delitos praticados, já que foi constatado que ele estava interessado nas vítimas Isabella e na irmã dela, e que no dia dos crimes, matou a primeira e tentou matar a segunda, porque não se sentiu correspondido.

Ainda de acordo com a desembargadora, na fase policial, o pai da estudante relatou ter sido informado de que o acusado disse que iria voltar “para terminar o serviço”. Outro fato lembrado pela magistrada é a pouca adesão do acusado à medicação. “O próprio apelante informou que já esteve em hospital psiquiátrico, recebeu alta médica com indicação de uso de alguns medicamentos, contudo não os usou", disse. 

Denise Pinho da Costa Val acatou também a observação do Ministério Público de que “o tratamento ambulatorial coloca em risco a integridade física, mental e emocional do próprio réu, seus familiares e, principalmente, das vítimas. Ademais, em liberdade, o réu tende a não aderir ao tratamento e fazer uso de bebidas alcoólicas, conforme já apontado nos laudos”.

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