R$ 11 milhões depositados pela mineradora Samarco para cobrir indenizações referentes à tragédia ocorrida em Mariana - cidade que fica na região Central de Minas e foi vítima do rompimento de uma barragem - serão transferidos para o combate ao novo coronavírus. A decisão é da Justiça do Trabalho, que liberou o montante para seis municípios do Estado.

Após o maior desastre ambiental do Brasil, a Samarco depositou R$ 50 milhões para a Justiça do Trabalho para cobrir danos morais coletivos. Ao transferir parte da verba para a saúde, o órgão defendeu que quer "superar a crise de atendimento médico e evitar o colapso do sistema de saúde pública e do atendimento à população".

O pedido de "doação" foi feito pelo Ministério Público do Trabalho para auxiliar as cidades de Acaiaca, Diogo de Vasconcelos, Itabira, Ouro Preto, Guanhães e Governador Valadares. "A destinação tem por objetivo oferecer recursos emergenciais para instituições estratégicas nos municípios beneficiados", destacaram os procuradores que compõem o Grupo Especializado de Atuação Finalística do MPT, formado pelos procuradores do trabalho Aurélio Agostinho Verdade Vieito e Geraldo Emediato de Souza.

Ficou determinado que as seis cidades terão o prazo de seis meses para a prestação de contas, perante o MPT, da aplicação dos recursos.

Tragédia em Mariana

Desastre em Mariana deixou 19 mortos

Distribuição

Governador Valadares receberá a maior parcela: ficará com R$ 4 milhões, sendo R$ 3 milhões para o Hospital Bom Samaritano e R$ 1 milhão para o município. Ouro Preto terá direito a R$ 3,3 milhões para melhorias na Santa Casa e para o Fundo Municipal de Saúde. 

À Associação de Caridade Nossa Senhora do Carmo, em Guanhães, receberá R$ 3 milhões. Conforme a decisão, o montante deverá ser utilizado na estruturação do Hospital Imaculada Conceição de Guanhães. Para Itabira, foram reservados R$ 300 mil para que o Lar de Ozanam acolha idosos em risco de doença. Por fim, para auxiliar o transporte de pacientes graves para o hospital de referência da região e a aquisição de parte dos materiais de atendimento emergencial, Acaiaca receberá R$ 200 mil. A mesma quantia será destinada para Diogo de Vasconcelos.

Tragédia em Mariana

O rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, aconteceu no dia 5 de novembro de 2015. Com o colapso da estrutura, um total de 35 bilhões de litros de rejeitos de minério tomaram conta da região, deixando um enorme rastro de destruição, engolindo a vegetação nativa e poluindo a bacia de córregos e rios.

Diversos povoados foram destruídos no trajeto do mar de lama, deixando 19 pessoas mortas (entre trabalhadores e moradores da região). Além disso, a lama tóxica poluiu 650 km do rio Doce, uma das mais importantes bacias do Estado, chegando até o litoral do Espírito Santo. A tragédia ainda deixou milhares de moradores dos dois estados sem fornecimento de água e, também, sem oportunidade de trabalho, já que muitas populações ribeirinhas dependiam das águas que foram contaminadas. 

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