A Justiça Federal autorizou, nesta quinta-feira (3), a contratação da Fundação Getúlio Vargas para atuar como perita nos processos que tramitam na Justiça, realizando o diagnóstico dos danos socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em novembro de 2015, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.

A Samarco e suas controladoras, Vale e BHP Billiton, são rés no processo criminal que investiga o desastre e a contratação da FGV foi questionada pelo Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, uma vez que, segundo o órgão, a Vale fazia parte do Conselho Curador da FGV naquele estado, o que poderia comprometer o trabalho.

Para o juiz Mário de Paulo Franco Júnior,  da 12ª Vara Federal de Minas Gerais, como a Vale já havia renunciado ao cargo no conselho da fundação e os trabalhos serão realizados em Minas Gerais e no Espírito Santo, não há suspeita de parcialidade no diagnóstico a ser feito. Já os Ministérios Públicos de MG e ES se declararam a favor da contratação da fundação.

O rompimento da barragem é considerado o maior desastre ambiental do país. A barragem, operada pela Samarco, se rompeu na região de Mariana, despejando 40 milhões de m³ de rejeitos. O tsunami de lama arrasou localidades e percorreu mais de 600 km pelo Rio Doce até chegar ao Oceano Atlântico, no litoral capixaba, devastando a fauna e a vegetação pelo caminho. Dezenove pessoas morreram no desastre e o corpo de uma delas até hoje não foi encontrado.

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