A Justiça autorizou a liberação de cerca de R$25 milhões da mineradora Vale para que a Universidade Federal de Minas Gerais e a Companhia de Saneamento do Estado (Copasa) possam realizar ações junto ao rio Paraopeba, atingido por rejeitos da Mina Córrego do Feijão, que se rompeu no dia 25 de janeiro, matando 247 pessoas.

A decisão desta terça-feira (20) é do juiz da 6ª Vara de Fazenda Pública e Autarquias da capital, Elton Pupo Nogueira, que  autorizou que a UFMG elabore pesquisas e fiscalize a qualidade da água do rio. Já a Copasa irá realizar campanha publicitária com foco na utilização e consumo de recursos hídricos. Todos os custos dos trabalhos serão financiados com dinheiro bloqueado, à disposição do Juízo.

Um recurso de R$3 milhões foi liberado para que a Copasa realize divulgação durante três semanas em 22 municípios do Estado. Para a UFMG, foi ordenada transferência, inicialmente, de R$ 22 milhões que serão utilizados para desenvolver pesquisas e projetos focados na reparação dos danos ambientais. A universidade federal também deve monitorar a qualidade da água superficial e subterrânea do rio Paraopeba.

Procurada pela reportagem, a Vale informou, por meio de nota, que analisará a decisão e reforçou que implantou uma série de ações para monitorar a qualidade da água do rio Paraopeba. "Atualmente, são 67 pontos de monitoramento e mais de 2 milhões de análises de água, solo e sedimentos realizadas, considerando 393 parâmetros. Esse trabalho é conduzido com apoio de quatro laboratórios especializados independentes e envolve aproximadamente 250 profissionais", afirmou em nota.

Novas audiências

Os Ministérios Públicos Federal e Estadual e a Defensoria Pública de Minas reiteraram o pedido de extensão de todas medidas emergenciais em favor dos integrantes da comunidade quilombola de Pontinha. A Vale vai se manifestar sobre essa questão até a data da próxima audiência, marcada para o dia 24 de setembro, às 13h.

Foi definida também outra data de audiência para o dia 24 de outubro. O rol de testemunhas arroladas pela mineradora deve ser apresentado em 15 dias e, posteriormente, o juiz Elton Pupo Nogueira irá definir a data em que elas serão ouvidas.

Rompimento da barragem

O desastre em Brumadinho deixou 247 mortos e 23 desaparecidos, totalizando 270 vítimas, segundo balanço do Corpo de Bombeiros, que ainda atua na região, quase sete meses após a tragédia. 

Os quase 13 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério que despencaram com o rompimento da barragem atingiram animais silvestres, domésticos e de fazendas, chegando ao rio Paraopeba, que percorre várias cidades do Estado e onde havia captação de água para abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Fonte: TJMG

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