A Justiça mineira decidiu, nesta segunda-feira (19), que os três skinheads que espancaram um homem no Centro de Belo Horizonte em 2010 vão a júri popular por tentativa de homicídio. O crime, conforme denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), ocorreu porque a vítima pertencia a um grupo de punk, historicamente rival de skinheads.

A decisão foi tomada pela juíza Âmalin Aziz Sant’Ana, sumariante do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte. A magistrada, porém, não marcou a data do julgamento, pois os advogados dos réus ainda podem recorrer da sentença de pronúncia.

O crime aconteceu em março de 2010 e, na época, ganhou grande repercussão na capital. Segundo o MPE, a vítima estava sentada na mureta de um bar, na rua São Paulo, quando foi atacada por cinco skinheads - dois não foram identificados e denunciados.

Por causa das agressões, o punk ficou 31 dias internados no Centro de Terapia Intensiva (CTI) em estado grave. A mãe dele afirma que o filho sofreu sequelas na fala e tem problemas motores devido ao espancamento, além de sofrer com convulsões.

Conforme a Justiça, os três acusados negaram o envolvimento na tentativa de homicídio, mas testemunhas confirmaram a participação deles e de mais duas pessoas. A vítima também relatou no processo que conhecia os agressores de “fama” e que viu quando eles atravessaram a rua vindo em sua direção.

Além de definir que os três acusados vão a júri popular, a juíza acatou pedido do MPE e determinou que os homens respondam por tentativa homicídio com três qualificadoras - motivo torpe, utilização de meio cruel e que impossibilitou a defesa da vítima.

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