A cada dois dias, um estabelecimento em Belo Horizonte é autuado por comissários do Juizado da Infância e Juventude por vender bebidas proibidas a menores de 18 anos. Ainda assim, a fiscalização limitada, a facilidade para comprar os produtos e a falta de consciência de comerciantes, pais e adolescentes contribuem para o livre abuso do álcool.

Balanço do juizado mostra que donos de 182 locais foram multados no ano passado. Nos primeiro trimestre deste ano, foram 45. Em cada autuação de praxe – em bares, por exemplo –, são flagrados, em média, três jovens consumindo álcool. Em shows e formaturas, o número sobe para 50.
 
Pouca gente
 
A fiscalização, no entanto, esbarra na falta de pessoal, diz a coordenadora do comissariado da Vara Cível da Infância e Juventude, Ângela Maria Xavier Muniz. São apenas 50 fiscais efetivos.
 
“Contamos com 330 comissários voluntários, mas não é o bastante, pois falta treinamento completo”, afirma. O problema é mais recorrente nas regiões de Venda Nova e no Barreiro.
 
Os números da Polícia Militar também apontam para uma tímida fiscalização. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), em Minas Gerais houve 655 flagrantes de venda de bebidas para jovens em 2011, 20 deles na capital. No ano passado, foram 641 ocorrências, sendo 19 em BH. 
 
À luz do dia
 
Cenas do consumo de álcool por menores de idade são frequentes às sextas-feiras na Praça da Liberdade. Após sair da escola, eles compram as bebidas em supermercados ou bares e se embriagam entre o Memorial Minas Gerais – Vale e o Museu das Minas e do Metal, sob o olhar passivo de policiais e guardas municipais.
 
Acompanhada do namorado de 17 anos, A.O., de 15, bebe e fuma tranquilamente. “Compramos no supermercado. Não nos pedem identidade. Às vezes, amigos com mais de 18 anos buscam para nós”, diz. A jovem descobriu o álcool aos 11 anos, na adega de casa. “Hoje, meus pais sabem. Já bebi ao ponto de me carregarem”, afirma.
 
Sem problemas
 
Ter acesso ao álcool em casas noturnas também é fácil. A.C.V., de 17 anos, usou a identidade de uma mulher de 28 anos, com aparência nada semelhante à dela, para ir a uma boate na zona Sul de BH, no mês passado. 
 
O segurança permitiu a entrada e, lá dentro, bastava ir ao balcão. “Também já bebi em festas particulares e em bares”, conta.
 
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