O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), afirmou, na tarde desta terça-feira (28), que não quer ficar com a cidade parada, mas que não será o "prefeito coveiro". O gestor declarou que BH será reaberta quando houver condições seguras para tal. As declarações foram feitas durante transmissão ao vivo pelo Twitter de Kalil.

"Fico horrorizado quando eu acordo e vejo que o estado está importando um avião de caixão. Um avião inteiro. Os caixões acabaram. Fico horrorizado com a falta de sensibilidade humana de ver covas rasas. A Prefeitura de São Paulo está encomendando saco plástico reforçado pra por cadáver. Eu não quero fazer isso. Eu não vou fazer isso. Isso não é ditadura, gracinha, não é nada. Eu não quero ser o prefeito coveiro", disse.

Segundo ele, a capital mineira voltará ao funcionamento assim que um grupo de analistas entender que já é seguro o retorno. "Um grupo muito competente, que eu não faço parte, monitora diariamente a situação de BH, monitora com técnica, matemática, saúde, infectologia, com estatística e probabilidade e é com isso que nós estamos trabalhando", afirmou.

Prejuízos com a cidade fechada

Kalil aproveitou a live para dizer que não está satisfeito em ver o município parado. Segundo ele, a cidade gasta mais de R$ 50 milhões mensalmente para custear cestas básicas, produtos de higiene e subsídios ao transporte público. 

"Eu quero que o povo saiba que o mais triste sou eu. Eu estou profundamente horrorizado de [ver] gente simplesmente [dizendo] 'nós temos condições de abrir o comércio'. Baseado em quê? No que estamos vendo no Rio e em São Paulo? No Amazonas, no Ceará, em Pernambuco?", questionou.

Segundo Kalil, cidades vizinhas à capital mineira têm feito aberturas "irresponsáveis", já que não têm nem equipamentos respiradores para atender a população. O gestor não citou nomes. "O último contato que o prefeito fez comigo foi para falar que não tinha dinheiro para pagar o Samu para buscar o doente lá. Estamos brincando com coisa muito séria", disse.