No dia em que completou 61 anos de idade o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, gravou um pronunciamento em seu perfil no instagram. Na gravação, divulgada na tarde desta quarta-feira (25), Kalil falou de diversos assuntos, dentre os quais a fala do presidente Jair Bolsonaro, que, em cadeia nacional, desautorizou o isolamento social, chamou o coronavírus de "gripezinha e resfriadinho", e atacou a imprensa.

"Não posso me furtar agora, porque não faz parte do meu estilo, de lamentar profundamente a fala do presidente da República. Aquilo é uma desconstrução muito dificil que nós, humildes prefeitos e governadores, estamos tentando fazer nesse país. Lamento muito e gostaria de saber qual o médico, cientista e qual especialista que o orientou (Jair Bolsonaro) para que fizesse um pronunciamento em cadeia nacional? O nome desse médico seria muito importante, o nome desse cientista seria muito importante. Por que foi pauta de campanha do presidente da República, homens técnicos no seu lugar, e na primeira vez que apareceu um homem técnico dando instruções técnicas (Ministro da Saúde Henrique Mandetta), ele foi desmoralizado pelo presidente. É óbvio que nós sabemos que temos que ficar em casa", enfatizou o prefeito da capital.

Kalil anunciou medidas importantes também, como a criação de mais 70 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um "novo hospital". 

"Nós conseguimos a Oncomed, nós vamos colocar mais 70 CTI's já montados com 130 enfermarias, um passo que melhora muito. A respeito dos hospitais de campanha, tive a grata e a boa notícia que o Governo do Estado está fazendo um muito grande no Expominas, parabéns ao Governo do Estado. Eu já deixei claro para todo mundo, não tenho nada contra ninguém, e é hora de todo mundo dar as mãos, estamos aqui para ajudar e se precisar ir atrás de ajuda. Nesse momento, depois do pronunciamento do presidente da República, os governadores terão que assumir a responsabilidade sobre os seus estados. Me preocupa muito o interior. Se o interior não foir atendido, essa massa humana que é a população de Minas Gerais vai cair na Região Metropolitana, o que vai causar o caos", analisou.
A Prefeitura de Belo Horizonte, ainda de acordo com Alexandre Kalil, fará doação de cestas básicas à aproximadamente 148 mil famílias de crianças que estão nos cadastros da PBH. 

"Nós determinamos que todas as crianças do nosso cadastro recebam um cesta básica, uma operação complexa, se não me engano são 148 mil famílias aproximadamente. Já autorizamos e me parece que a partir de no máximo depois de manhã ou amanhã já será operacionalizado pela Maíra (da Cunha Pinto Colares, secretária de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania) na Política Social, isso é o mínimo que podemos fazer", ressaltou.

Respiradores e mais doações

Detalhe que chama a atenção nessa época de pandemia do coronavírus o número de aparelhos respiradores nos hospitais da cidade, uma das armas no combate ao Covid-19, foi comentado pelo prefeito. Assim como o de equipamentos de proteção individual, os EPI's, também foi um ponto específico do pronunciamento de Kalil.

"Fomos a primeira cidade a impor o fechamento e as benesses do adiamento de imposto, isso já foi feito e está pronto. Temos preocupação com os EPI's, sim. Ontem (terça-feira) adquirimos 250 mil máscaras e 60 mil luvas, isso dá enquanto não tiver um pandemônio que essa pandemia pode trazer para a nossa cidade. Nós estamos supridos, mas estamos atentos. Recebemos 12.500 litros de álcool líquido, por isso não distribuí nas áreas mais pobres, é um álcool muito perigoso, mas será distribuído. Foi uma doação de um amigo que tem uma usina de açúcar e álcool, e vai mandar entregar para o secretário da saúde para proteger os nossos profissionais da saúde. Hoje temos a capacidade de colocar simultâneamente sete mil pessoas nos respiradores, o que é uma boa notícia, uma técnica americana que testamos, combinando, e está tudo certo, essa é a nossa capacidade hoje, que é pouco, muito pouco. Quero dizer a população de Belo Horizonte que hoje, agradecendo a todos que mandaram mensagem me parabenizando, o meu grande presente seria que meu filho que está enfiado em um hospital e só sai amanhã de manhã, que saia seguro, porque pouca gente vai estar em hospitais. Fique em casa, proteja essa gente brava que está na rua", clamou. 

Quarentena x crise econômica

Um outro assunto que gera polêmica nesse período de quarentena é a economia do Brasil. O tema também foi abordado pelo prefeito de Belo Horizonte, que lembrou outras crises mundiais, principalmente a agravada pela Segunda Guerra Mundial na Europa, para tentar conscientizar a população.

"Fica em casa, gente, nós vamos sair disso, a economia vai se resolver como sempre se resolveu. A Europa foi devastada em 1945 e virou o que virou, aquele império de desenvolvimento. Agora está sendo devastada de novo, e vai levantar de novo. O sofrimento é imposto a todos. Claro que a elite, nós, que temos mais dinheiro, sofremos menos. Mas temos a obrigação de não esquecer de vocês que estão no sofrimento. Eu estou fazendo o que posso, disponibilizando o dinheiro que eu tenho, nós passamos com o dinheiro em caixa, a população não sabia disso. Nós temos o dinheiro separado sim para proteger, e vamos fazer programas de proteção, mas fiquem em casa, porque se não, além de muita gente morta, não vamos ter dinheiro nem para enterrar os mortos", explicou, voltando às críticas a Bolsonaro e pedindo ajuda efetiva do Governo Federal.

"Não é gripezinha, gente. Estão matando só na Espanha e na Itália quase 1.500 pessoas por dia, por dia, isso não é uma gripezinha. Eu peço a vocês que tenham compreensão de tudo que foi feito. E nós vamos ter a responsabilidade de ajudar o máximo que conseguirmos, não estão esquecidos, nós temos obrigação. E do Governo Federal nós precisamos de programas, de dinheiro, de ajuda de contingência de dinheiro para esse povo que está sofrendo um tanto nas áreas mais pobres dessa cidade, do estado e do país. Não precisamos do que foi feito ontem à noite, muito obrigado, mas não precisamos. Precisamos de dinheiro e de programa. E parabéns à OMS, ao Ministério da Saúde que teve a responsabilidade de copiar o que o mundo todo fez. Não estamos inventando a roda, estamos copiando o mundo civilizado. Qualquer outra coisa eu volto", disse.

Aniversário do Atlético

Ex-presidente do Atlético, Alexandre Kalil aproveitou o minuto final de seu pronunciamento, que durou quase dez minutos, para parabenizar o clube alvinegro pelos 112 anos de sua fundação. Em uma sala onde o ambiente mostrava um quadro com uma camisa atleticana e vários quadros em referência ao alvinegro, Kalil, que comemora aniversário junto com o clube do coração, gravou sua mensagem.

"Eu estou aqui com esse pano de fundo, porque essa hora é dura, é difícil, mas parabéns ao meu time, parabéns ao Atlético. Que além de me dar tanta tristeza e alegria, ainda esse corona para acabar de atrapalhar tudo, me tirou o meu Galo dos meus domingos. Fiquem com Deus, um pouco de humor, conversem com seus filhos, com suas mulheres, e vamos cantar, ler, assistir televisão, ver filme, fazer o que cada um pode dentro do seu poder aquisitivo. Estamos trabalhando, vamos resolver e passar por isso. Passamos por uma tempestade e vamos passar por essa doença terrível que está apavorando o mundo inteiro. Muito obrigado", finalizou.