O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia, na tarde desta quinta-feira (9), que o lockdown (fechamento total da cidade) "está descartado, no momento". 

O prefeito respondia a pergunta sobre o fato de as taxas de isolamento social da capital ainda estarem bem abaixo do ideal - em torno de 45% -, mesmo após o recente recuo na flexibilização do comércio, deixando abertos apenas os segmentos essenciais.

"É muito importante que as pessoas fiquem mais em casa e entendam que o momento é muito delicado", disse Kalil. 

O prefeito também apelou à população para que tenha mais "empatia" com a coletividade, mas, sobretudo, em relação a pessoas que estão na linha de frente ao combate à pandemia do novo coronavírus - caso, por exemplo, dos profissionais de saúde. "Suplico à população de BH para ajudar a quem está fazendo sacríficio", afirmou.

Contudo, Kalil afirmou que, conforme os dados atuais, acompanhados pela Comissão de Enfrentamento à Covid-19, é possível dizer que BH está "com o vírus sob controle". 

Comércio e serviços

O prefeito, cuja equipe reuniu-se, pela manhã, com o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, para discutir a situação do segmento de bares e restaurantes na capital - todos estão fechados à presença física dos clientes há mais de 100 dias - voltou a afirmar que a culpa por tudo o que tem acontecido, inclusive na economia, é do vírus.

"A Terra é redonda e não acreditamos em astrologia. Portanto, o retorno vai ser quando a ciência disser que isso é possível. Ninguém é culpado, nem o prefeito, nem o comércio. O culpado é o vírus, então, vamos derrotar o vírus para a gente poder abrir de novo", disse. 

Para comerciantes, de um modo geral, Kalil também acenou com novos incentivos para reduzir os impactos sobre diversos setores - a exemplo da ampliação por seis meses do parlacelamento do IPTU para muitos estabelecimentos.  

O prefeito também reiterou que não irá se submeter a pressões de segmentos econômicos em razão da pandemia, período no qual seu compromisso é com a população. "Fui eleito para cuidar do povo e estou tentando fazer do meu modo, não nasci para ser 'miss simpatia'. Estou preocupado em não enterrar os outros. Não tenho idade mais para levar caixão no meu lombo", afirmou.

Especificamente sobre bares e restaurantes, o prefeito disse que, embora eles tenham que reabrir, uma hora, esse momento ainda parece distante., "Bar é o lugar de maior contágio. O que menos contagia é golf, e o que mais contagia é bar. Mas vai ter que voltar. Abriram um bar em Nova York na semana passada, de 3h às 5h (da tarde). Saíram quase 100 contaminados", disse. 

Ainda sobre o tema econômico, Kalil rechaçou críticas e insinuações de que teria privilegiado alguns setores, como os shoppings populares, na segunda fase de retomada do comércio, da qual a PBH já reuou. "Fiquei muito triste com as inteptretações que deram a isso. Reabrimos naquela ocasião por uma questão humanitária", afirmou ele, referindo-se ao fato de que os trabalhadores desses estabelecimentos são de baixíssima renda.  

Educação

Kalil também garantiu, na entrevista, que sequer cogita, no momento, a possibilidade de  retorno das aulas na rede municipal de ensino. "Não posso prever quando isso vai acontecer", afirmou. "Todos estão fazendo protocolo devolta ás aulas, mas daí a voltar é uma distância muito grande", afirmou.