O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kali (PSD), usou frases de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial, para rebater, na tarde desta sexta-feira (22), as críticas que o governador Romeu Zema fez (Novo) à sua gestão em relação à pandemia, em entrevista à rádio Jovem Pan, na quinta-feira (21).

Zema havia dito que Kalil tem agido "fora da curva", ao compará-lo com outros prefeitos da Região Metropolitana de Belo Horizonte, "que têm uma forma distinta" de atuar. Ele respondia a um entrevistador sobre possível condução "ditatorial" do prefeito da capital durante a pandemia, com a adoção de  medidas supostamente "radicais e meio tirânicas" para enfrentamento ao coronavírus.

“Eu posso afirmar: os outros prefeitos têm sido mais ponderados em suas atitudes, têm tido uma maior interlocução com o setor privado, que é quem gera empregos. E ele (Kalil) tem esse o estilo dele (...), que é bem expressivo, né, vamos dizer assim, e tem conduzido a pandemia em Belo Horizonte de uma forma muito distinta, inclusive de outras cidades aqui, da região metropolitana. Betim é diferente, Contagem é diferente", afirmou Zema à Jovem Pan.

E completou: "Então, tem muita gente trabalhando em silêncio, e tem alguém gritando e, às vezes, fazendo quase nada, que parece ser um pouco a situação aqui, da capital”.

Kalil não deixou por menos e se manifestou por nota. "Em resposta à agressão gratuita que recebi do governador do Estado, em entrevista à Rádio Jovem Pan, parafraseio Winston Churchill, em um livro atual para o momento que vivemos, 'Memórias da Segunda Guerra Mundial'. O governador vai '...em um estranho paradoxo, decidido só a não decidir, resolvido só a não resolver, firme na deriva, sólido na fluidez, onipotente na impotência'.

Embates políticos

As disputas entre Zema e Kalil, sobretudo por meio de publicações em redes sociais e declarações à imprensa, têm sido comuns nos últimos meses. Tiveram início quando ambos se questionaram sobre medidas de enfrentamento aos impactos das fortes chuvas na capital e no Estado, em fevereiro, e se intensificaram desde a chegada da pandemia da Covid-19.

Um dos panos de fundo para tantas "brigas" é, segundo analistas políticos, o ambiente pré-eleitoral. Kalil já se  lançou como pré-candidato à própria sucessão, inicialmente prrevista para este ano, e ninguém descarta que isso seja um trampolim para buscar o governmmo estadual, em 2022. Único governador do Novo  no país, Zema, por sua vez, é tido como forte candidato a tentar a recondução ao comando do Estado, daqui a dois anos.