Acusado de ser o líder do "Bando da Degola", Frederico Flores foi condenado a 39 anos de prisão em regime fechado pelo assasinato de dois empresários no ano de 2010 no bairro Sion, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ainda conforme a sentença, o réu não poderá aguardar recurso em liberdade.O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (12) no Fórum Lafayette, na capital mineira, onde o réu confessou o crime e se disse arrependido.
 
"Eu me declaro culpado, mas não tenho lembranças e certeza para responder detalhes", disse Flores ao juiz Glauco Fernandes. O acusado ainda se referiu às famílias de Fabiano Ferreira Moura e Rayder Santos Rodrigues, que foram extorquidos e decapitados. "Quero fazer qualquer coisa para reparar as famílias. Não estou arrependido por estar preso", revelou.
 
Flores foi indiciado por  homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado, extorsão, ocultação de cadáver e formação de quadrilha, mas teve a pena reduzida por ter confessado o crime. Além disso, um laudo médico que aponta que Flores não teria total domínio sobre os seus atos no momento do crime e o considerou semi-ininmputável também contribuíram para a diminuição da pena.
 
Dois outros réus do "Bando da Degola" já foram condenados: o ex-policial Renato Mozart, condenado a 59 anos de reclusão, em dezembro de 2011, e o estudante Arlindo Soares Lobo, que pegou 30 anos de prisão, em julho deste ano, ambos por homicídio qualificado, extorsão, destruição e ocultação de cadáver e formação de quadrilha. Os processos deles foram remetidos ao TJMG para julgamento de recurso.
 
Entenda o caso
 
De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), Frederico Flores e outros sete acusados sequestraram e extorquiram os empresários Fabiano Ferreira Moura, de 36 anos, e Rayder Santos Rodrigues, de 39. Após fazer saques e transferências de valores das contas deles, o grupo assassinou as vítimas em um apartamento no bairro Sion e transportou os corpos no porta-malas do carro de uma das vítimas para a região de Nova Lima, na Grande BH, onde foram desovados.
 
Ainda conforme a denúncia, os empresários estavam envolvidos em estelionato e atividades de contrabando de mercadorias importadas, mantendo em seus nomes várias contas bancárias, de onde eram movimentadas grandes quantias de dinheiro. As atividades ilícitas chegaram ao conhecimento de Flores, líder do "Bando da Degola", que passou a manifestar o desejo de extorquí-los e foi ajudado pelos demais acusados. Ao todo, oito pessoas foram presas por envolvimento no crime.