Nós sabemos, “não há almoço grátis” e o prefeito Marcio Lacerda está diante de um daqueles momentos difíceis entre autorizar um reajuste nas tarifas de ônibus ou colocar dinheiro da Prefeitura no sistema. 
 
É que os números não mentem e os empresários apresentaram relatório da mesma auditoria internacional que estudou a viabilidade do BRT, em 2010, apontando que, agora, o Move não corresponde às expectativas e gera prejuízo mensal de R$ 12 milhões, que se acumula a R$ 80 milhões de saldo negativo do ano passado. 
 
Há discordâncias em torno das razões: a Prefeitura entende que é a diferença entre a inflação dos últimos seis anos, da ordem de 50%, e o percentual de aumento das passagens, 37%, mas, no que é essencial, concorda que os donos de ônibus têm suas razões.
 
O certo é que a velocidade do Move está aquém da sonhada, até porque fizeram pista exclusiva nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos, mas, quando se chega ao Complexo da Lagoinha, o progresso não chegou... Além disso, há a crise, com redução do número de passageiros (tem muita gente fazendo pequenos deslocamentos a pé), tem a venda absurda de motos em até 100 pagamentos, mais o volume crescente dos idosos, portadores de deficiência e outros públicos não pagantes. 
 
Assim, depois de investimentos da ordem de R$ 500 milhões, os empresários achavam que poderiam retirar 400 ônibus de circulação, mas, até agora, apenas 80 veículos estão na garagem.
 
Sabedores da histórica desconfiança da população, da ação cada vez mais ativa dos movimentos populares e dos aspectos políticos que o assunto envolve, os dirigentes do Sindicato das Empresas contrataram a Ernest & Young, a mesma empresa que fez o estudo da viabilidade do sistema e, ao que parece, sensibilizaram o prefeito. O que fazer e quando é o dilema de Lacerda. Até porque os empresários deveriam ter pago a participação nos lucros no último dia 5, não o fizeram, houve greve de três dias, a quitação foi adiada para o mês que vem, mas, segundo as alegações, não terão o dinheiro... E nem para o décimo terceiro salário.
 
Uma das hipóteses aventadas dentro da PBH é o subsídio, que pode causar espanto, mas, não seria novidade considerando que outras cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Florianópolis já colocam dinheiro no sistema. No caso de São Paulo, não fosse o subsídio, a tarifa média que hoje é de R$ 3,50 seria de R$ 4,63.
 
Ainda bem que eu não sou o prefeito.