Laudo disponibilizado pela Polícia Civil na noite desta quinta-feira (9) apontou a presença de substância tóxica em cervejas da Backer. Os exames são preliminares. Não há como confirmar a responsabilidade da empresa no caso do bairro Buritis, na região Oeste de BH. As investigações prosseguem para verificar se a bebida contaminada provocou a doença misteriosa, que já deixou uma pessoa morta em Juiz de Fora (Zona da Mata) e outras setes internadas em hospitais da metrópole.

De acordo com o documento, em duas amostras colhidas da cerveja pilsen Belorizontina - lotes "L1 1348" e "L2 1348" - foram identificadas a presença de dietilenoglicol (DEG), que pode provocar intoxicação. "Essas garrafas foram recebidas lacradas e acondicionadas em envelopes de segurança da vigilância sanitária municipal", informa o laudo da corporação.

Segundo o delegado Flávio Grossi, a polícia recebeu quatro garrafas da cerveja Belorizontina para a análise no Instituto de Criminalista e os resultados deram positivo para a substância dietilenoglicol. "Não é possível à polícia, no atual estado das coisas, afirmar a forma como essa substância foi localizada, porque ela estava dentro dessas amostras. É possível dizer apenas que foi identificado nessas duas amostras especificamente", explicou Grossi.

Assim que foi detectada a existência desse produto, foi instaurado nesta quinta-feira (9) um inquérito policial para apurar os possíveis crimes.

Pelo menos oito homens foram internados. Entre eles, Paschoal Dermatini Filho, de 55 anos, que morreu em Juiz de Fora, na Zona da Mata,  após apresentar sintomas de insuficiência renal e alterações neurológicas. Um nono caso foi descartado.

Em nota, a Backer informou que a substância identificada pela polícia não faz parte do processo de produção da Belorizontina. Os lotes citados serão retirados "imediatamente" de circulação. A cervejaria diz que segue à disposição das autoridades.

O que é DEG?
O DEG, como é conhecido, é um líquido sem cheiro que se mistura com água e solvente. A solução é usada como anticongelante, diminuindo o ponto de fusão e aumentando o de ebulição. Segundo a Anvisa, "é um solvente orgânico altamente tóxico e que causa insuficiência renal e hepática, podendo, inclusive, levar a óbito quando ingerido". Os sintomas são parecidos com os das vítimas que consumiram a cerveja no Buritis.

Confira a nota da Backer na íntegra 
 
Após entrevista coletiva nesta tarde, a Polícia Civil divulgou laudo informando que a substância dietilenoglicol foi identificada em duas amostras recolhidas da cerveja Belorizontina na casa de clientes, que vieram a desenvolver os sintomas. Vale ressaltar que essa substância não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina, fabricada pela Cervejaria Backer. 

Por precaução, os lotes em questão - L1 1348 e L2 1348 - citados pela Polícia Civil, e recolhidos na residência dos consumidores citados, serão retirados imediatamente de circulação, caso ainda haja algum remanescente no mercado. A Cervejaria Backer continua à disposição das autoridades para contribuir com a investigação e tem total interesse que as causas sejam apuradas, até a conclusão dos laudos e investigação.