O laudo conclusivo para determinar a causa da morte de Edi Alves Guimarães ficará pronto em até 30 dias. O documento será elaborado pela Polícia Civil, por meio do Instituto Médico-Legal (IML). Ontem, o Hospital Risoleta Neves, onde a mulher estava internada, descartou a intoxicação por monóxido de carbono.

Conforme a unidade de saúde, os exames não constataram que a substância tóxica da fumaça inalada durante o protesto do dia 14, na capital, possa ter provocado o óbito. Moradora de Santa Luzia, na Grande BH, ela tinha oito filhos. A morte encefálica foi confirmada na tarde da última segunda-feira. No comunicado, o hospital lamentou o falecimento e informou que o óbito foi associado a doença cardíaca e neurológica.

O inquérito para investigar a morte já foi instaurado pela Polícia Civil. Além de ter acesso aos exames do hospital, os agentes da corporação ouvirão testemunhas do caso

A Polícia Civil (PC) já instaurou inquérito para investigar a morte. Edi estava em um ônibus vindo de Santa Luzia para a metrópole quando o veículo foi surpreendido pelos manifestantes, que haviam feito barricada com pneus incendiados na avenida Antônio Carlos, na altura da portaria da UFMG, na Pampulha.

Segundo a corporação, pelo fato de a vítima ter morrido no hospital, é a instituição que faz os exames e a certidão de óbito, que é enviada ao IML. A Polícia Civil, no entanto, afirmou que ainda desconhece o resultado das análises do Risoleta Neves.

Além de ter acesso ao documento, os agentes ouvirão testemunhas do caso. A corporação ponderou que é cedo para fazer qualquer avaliação, já que há poucos elementos disponíveis para a investigação.

Histórico
O caso aconteceu na manhã da última sexta-feira, quando milhares de pessoas foram às ruas em todo o país para protestar contra a reforma da Previdência e os contingenciamentos na Educação. As manifestações foram realizadas sem confrontos, e a mulher foi a única vítima de ocorrência relacionada ao movimento.

Conforme a Polícia Militar, o ônibus em que a vítima estava se encontrava próximo aos pneus em chamas. Ela acabou inalando a substância tóxica e passou mal. A vítima foi levada às pressas por uma viatura do Tático Móvel do 13º Batalhão até o hospital da região de Venda Nova.

Lá, sofreu parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada. O estado de saúde seguiu gravíssimo até a constatação da morte encefálica. O corpo de Edi foi velado e sepultado ontem em Santa Luzia.