Mesmo gostando de estudar, Luísa Camargos Raimundo, de 9 anos, não queria saber da nova escola e só ia à aula quando a mãe oferecia alguma recompensa. Tímida e sentindo-se deslocada, a garota conta que a situação só começou a mudar quando, durante uma atividade na instituição, descobriu a paixão pela leitura.

A mudança rendeu frutos. No ano passado, a menina lançou um livro e, hoje, coleciona benefícios. Conforme especialistas, quanto mais cedo as crianças adotarem o hábito de ler, maiores os estímulos intelectual e da memória, além da facilidade de comunicação e escrita. Incentivos devem partir tanto dos pais quanto dos professores.

Desafio
Desenvolver o costume, porém, não é fácil. Dentre as medidas que podem ser adotadas, a principal é a busca por alternativas capazes de retirar o caráter obrigatório, tornando a atividade interessante.

O desejo dos estudantes também deve ser levado em conta, afirma a psicóloga infantojuvenil e especialista em psicopedagogia Érica Frois.
“O melhor é deixar a própria criança escolher. Deixar ela olhar a capa, ver a primeira página, conhecer a história previamente. É importante estimular diferentes tipos de obras, como crônicas, livros de arte e biografias”, recomenda Érica Frois, que também é professora da PUC Minas.

Foi o que ocorreu no projeto desenvolvido pela Escola Municipal Francisca Alves, na Pampulha, em BH. Lá, Luísa teve a ideia de se tornar uma escritora mirim. A atividade ocorreu por meio do programa Leituras em Conexão, proposta pedagógica desenvolvida pela Secretaria de Educação da capital mineira.

A iniciativa estimula a leitura e a produção de textos em todas as instituições municipais. As escolas têm autonomia para desenvolver ações independentes, mas com o mesmo foco.

Só na escola
Segundo a coordenadora do Leituras em Conexão, Noara Resende, muitos alunos só passam a ter contato com os livros na escola. A constatação reforça a importância da participação dos pais nesse processo. “É fundamental que sejam oferecidas experiências agradáveis e significativas, para que eles tenham, primeiro, o interesse e a curiosidade e, assim, incluam a prática no dia a dia”, diz.

Livro
O incentivo que Luísa Camargos teve ao colocar no papel a história que imaginou foi dado pela própria escola, que realizou uma atividade para estimular a criatividade e oralidade das crianças de 6 a 9 anos. 

Foi aí que nasceu a obra “As aventuras da sereia Luísa e do pirata traiçoeiro”. “Os livros mudaram a minha vida. Ficava o máximo de tempo possível na biblioteca. Além de me incentivar a vir para a escola, me ajudou a inventar e escrever minhas próprias histórias”, conta a estudante.

Para a professora Ticiana Brandão Salles, o projeto teve grande importância no desempenho escolar da menina. “Ajudou não apenas a desenvolver a habilidade da produção textual e a melhorar a concentração, mas permitiu que ela conhecesse diferentes gêneros textuais”, disse Ticiana Brandão.