O Corpo de Bombeiros retirou, na tarde desta quinta-feira (1º), cerca de 200 metros de linha chilena de um papagaio, que estava preso em um árvore, na avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte. 

De acordo com os militares, a linha estava atravessada na via e apresentava risco de acidentes a pedestres e motociclistas. O item ilegal foi localizado em frente ao número 1055, próximo ao Mercado das Flores. Ainda segundo os bombeiros, a linha foi entregue a um agente da Guarda Municipal.

Com o início da  temporada de ventos e pipas, o Hoje em Dia lançou nesta quinta-feira (1º) a campanha Linha Segura, um movimento de conscientização e mobilização para evitar que as linhas chilena e de cerol continuem a destruir vidas e sonhos. A denúncia do uso ou comércio, que pode ser feita de forma anônima pelo 181, é a principal forma de coibir novos acidentes. 

Até esta quarta-feira (31), antes mesmo do início da temporada de ventos, o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII já atendeu pelo menos 23 vítimas de ferimentos com linhas cortantes. Pelo menos outros três casos de lesões graves foram registrados em outras cidades do Estado, sendo que dois deles terminaram com amputação de membros, em Betim e Visconde do Rio Branco. O caso mais emblemático foi o do adolescente Gabriel Lucas Alves, de 15 anos, que sonhava em ser jogador, mas teve a perna amputada após um acidente com linha chilena enquanto caminhava na rua, em Betim.

A utilização e venda destas linhas, apesar de não ser considerada crime, é proibida por lei em todo o território de Minas Gerais desde 2002. O texto prevê que aqueles que forem flagrados com estas linhas estarão sujeitos a multas que vão de R$ 100 a R$ 1.500.

Se o uso resultar em prejuízos patrimoniais, ferimentos ou morte de alguém, além da multa, o infrator pode responder por dano simples ou qualificado, lesão corporal e, até mesmo, por homicídio, crimes que podem levar à cadeia.

A lei determina ainda que a fiscalização contra a prática cabe às forças de segurança, como Polícia Militar (PM), Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal. Entretanto, a principal dificuldade encontrada para punir os praticantes é a identificação dos autores. 
 
"As linhas que fazem vítimas normalmente são aquelas que foram perdidas por quem soltava. É quase impossível localizar e pegar em flagrante", pontua o tenente Herman Ameno, dos Bombeiros. 
Como denunciar

Conforme a Polícia Civil (PC), para denunciar o uso de linha chilena ou cerol basta ligar para o Disque-Denúncia, no número 181, não sendo necessário se identificar. 
 
Além da multa, aqueles que forem flagrados usando linhas cortantes podem ser enquadrados por  exposição ao perigo (que não é passível de prisão). Já a venda de linha chilena e cerol é proibida, ainda de acordo com a entidade, mas trata-se de um ato ilícito civil, sujeito apenas a multa. 
Mas este não é o único canal para denunciar infratores. Segundo o major Flávio Santiago, da PM, se a pessoa não se importar em ser identificada, as denúncias também podem ser feitas pelo 190. "A pessoa pode inclusive acenar para uma viatura e mostrar o local. Mas se não quiser se identificar, por medo, se conhecer o denunciado ou qualquer outra razão, o 181 é mesmo a melhor opção", avisa.
 
Guarda Municipal de BH 
 
Exclusivamente em Belo Horizonte, outro meio de denunciar é o telefone da Guarda Municipal, o 153. Nesta semana, a prefeitura da capital anunciou que vai intensificar as ações de fiscalização contra as linhas de cerol e chilena. 
 
"A partir desta semana, quem for flagrado usando este tipo de material e não o entregar espontaneamente, será conduzido, por um agente a uma unidade policial. As abordagens, mais frequentes aos fins de semana, são realizadas em locais previamente mapeados, tendo como base a alta incidência de registros de uso das linhas para empinar pipas", informou, em nota.
 
Campanha Linha Segura: 

 
Denúncia anônima: 181
Polícia Militar: 190
Guarda Municipal: 153