O descumprimento das regras sanitárias para evitar a proliferação da Covid-19 no transporte público de Belo Horizonte rendeu quase três vezes mais multas do que as aplicadas por conta da ausência do cobrador. Em quatro meses – de 17 de março a 16 de julho –, as empresas que prestam o serviço na metrópole receberam 8.109 autuações por ultrapassar a lotação máxima e não disponibilizar álcool em gel nos ônibus.

Já a falta do agente de bordo, que era a principal irregularidade cometida antes da pandemia, foi motivo de 2.891 punições de janeiro até agora.

Na tentativa de barrar aglomerações nos coletivos, a PBH promete disponibilizar, a partir de hoje, número maior de viagens para atender aos usuários. A medida é fruto de acordo assinado entre a prefeitura e o Ministério Público, na última sexta-feira, visando aumentar em 15% a oferta na cidade.

Veículos abarrotados deixam a auxiliar de limpeza Anézia Alves, de 64 anos, insegura. Ela utiliza o transporte público três vezes por semana e, mesmo com a pandemia, encontra os ônibus lotados. “Fico preocupada com aquele tanto de gente próxima. Tento fazer minha parte usando máscara e álcool em gel nas mãos, mas com medo”, declarou.

A cozinheira Ana Lúcia Carvalho, de 43, também relata o receio em pegar diariamente os coletivos, principalmente com o avanço do novo coronavírus em Belo Horizonte. “Infelizmente, nem todos têm condições de utilizar o serviço particular de transporte. Então, a saída é se arriscar”, lamenta.<EM><QA0>

Risco em potencial
Integrante do Comitê de Combate à Covid-19 e professor da UFMG, o infectologista Unaí Tupinambás explicou que, em relação à doença, os coletivos são potencialmente perigosos por receberem um fluxo enorme de passageiros. “Uma pessoa assintomática toca no ônibus e leva o vírus para outras que utilizam o serviço”.

Por isso, o especialista reforça a importância de higienizar as mãos com frequência, com água e sabão ou álcool em gel, além de não levá-las ao rosto. “É um dos fatores importantes no combate à Covid. Quanto mais limpa a mão, menos risco de se infectar”, diz.

Unaí Tupinambás reforça ser essencial, dentro do ônibus, usar máscara e não manter contato verbal com outros passageiros. “Falar, cantar, assobiar e rir expele partículas. E, se (o usuário) estiver contaminado, pode infectar outras pessoas. Um dos recursos é conversar por aplicativos de mensagens”, orientou.

A BHTrans informou que todas as multas estão em fase de recurso e, por isso, nenhuma quantia foi quitada pelas prestadoras do serviço. Sobre as irregularidades anotadas pelos fiscais, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) garante que não tem faltado álcool em gel nos ônibus.

Com relação às punições, informou que o departamento jurídico de cada empresa cuida dos processos e recursos.

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