Depois de ficar dez anos preso, em apenas sete meses de liberdade um homem conseguiu lucrar quase R$ 1 milhão liderando uma quadrilha especializada em assaltos a residências na capital mineira. Em uma única ocorrência, o grupo chegou a levar R$ 800 mil em joias de uma casa na Pampulha.

Dois integrantes do bando, inclusive o suspeito de ser o chefe, e um suposto receptador dos produtos roubados foram detidos na terça-feira. Nos últimos 60 dias, conforme as apurações, os bandidos teriam cometido pelo menos seis delitos.

Residências em locais que concentram moradores de alto poder aquisitivo nas regiões Centro-Sul e Pampulha eram os principais alvos da organização. 

“Esse tipo de criminoso faz o mapeamento dos bairros nobres. Em um momento de distração dos proprietários, pulam o muro e arrombam a porta do imóvel em busca de dinheiro ou joias”, frisou o delegado Gustavo Bartella, do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Patrimônio (Depatri).

O homem considerado o líder do grupo já respondia pelo assalto a um prédio no bairro Luxemburgo, Centro-Sul da metrópole

Prisões

Apontado como líder da quadrilha, o homem de 34 anos foi preso em um hotel em Ouro Preto, na região Central do Estado, após ser filmado por câmeras de segurança em um assalto na zona Sul da capital. 

Na ocasião, ele e dois comparsas roubaram cerca de R$ 120 mil da casa de um ex-policial civil. Na ação, o trio fez reféns os dois filhos e o pai do proprietário da residência. 

Dois dos criminosos foram detidos em Santa Luzia, na Grande BH. Os investigadores monitoraram o paradeiro do “cabeça” do grupo e descobriram que o homem estava com a esposa em uma hospedagem na cidade histórica, na última terça-feira. 

Horas depois, um jovem de 28 anos foi preso em casa, no Santa Mônica, em Venda Nova, também na capital. No imóvel foram encontrados vários materiais roubados e um revólver de calibre 32. Outro homem, de 32, foi detido como receptador dos produtos eletrônicos levados nas ações criminosas. Computadores, videogames, celulares e TVs foram apreendidos na loja que ele mantinha no bairro Ipiranga, região Nordeste da cidade. 

“O líder do grupo nos confessou que arrecadou mais de um R$ 1 milhão em materiais roubados do tempo que saiu da prisão até agora. Ele organizava tudo, arrombava as casas, recrutava pessoas para os assaltos e rendia as vítimas”, explicou Gustavo Bartella. 

Conforme o delegado, os suspeitos entravam em imóveis com ou sem moradores. Caso houvesse alguém nas residências, as vítimas eram ameaçadas com armas de fogo, amarradas e colocadas dentro de armários.