Muito associada à frieza e à impessoalidade, a incorporação da tecnologia à medicina deixa parte dos pacientes desconfortáveis. Mas a mesma robotização dos hospitais que chega a assustar alguns vem garantindo diagnósticos mais precisos e definindo os melhores tratamentos para cada caso. 
 
Embora pareça contraditório, é justamente o uso crescente das máquinas que tem possibilitado um atendimento mais humanizado. Hoje, profissionais da saúde fazem questão de mostrar que, apesar da imponência dos equipamentos, há gente cuidando de gente.
 
“A tecnologia não é um fim. É um instrumento, um meio. O objetivo é tratar o paciente de maneira personalizada, para que ele se sinta acolhido, porque, normalmente, ele entra no hospital morrendo de medo. Quanto mais acolhimento, maior a chance de sucesso no tratamento”, afirma o presidente do hospital Mater Dei, Henrique Moraes Salvador Silva.
 
Segurança
 
O hospital é um dos que vem adotando essa estratégia. A unidade inaugurada em junho na avenida do Contorno, no Barro Preto, tem equipamentos ultramodernos e ambientes extremamente automatizados. Alguns, pioneiros em Belo Horizonte. 
 
É o caso da sala híbrida, que reúne no mesmo lugar recursos de bloco cirúrgico e de procedimentos hemodinâmicos – como cateterismos cardíacos, angioplastias com implante de stent, tratamentos de aneurismas de aorta e de válvulas cardíacas por via endovascular. Em Minas, apenas Uberlândia, no Triângulo, dispõe de um espaço como esse.
 
“A sala híbrida serve para aumentar a segurança e até mesmo o conforto do paciente, e também para realizarmos procedimentos combinados, com equipes diferentes, sem precisar de deslocamento”, explica o cirurgião Lucas Lodi.
O local conta, por exemplo, com um equipamento de raio-X que emite até 73% menos radiação ao paciente e à equipe do que os aparelhos convencionais. “E ainda permite a reconstrução tridimensional das imagens”, completa o cirurgião Guilherme Athaíde.
 
DIFERENCIAL
 
Outro aliado dos médicos atende pelo nome de PET-CT, sigla em inglês para Tomografia por Emissão de Pósitron e Tomografia Computadorizada. O equipamento é capaz de “casar” as imagens geradas pelos exames de ressonância e tomografia.
 
“O grande diferencial dele, e isso ninguém (nenhum hospital em BH) tem, é uma bomba de injeção de glicose radioativa para identificar tumores”, diz o médico nuclear Leonardo Lamego.
 
“Antes, todo mundo injetava na mão, com uma seringa. Com a bomba, o paciente recebe a dose certa, com precisão, e o trabalhador se expõe a 19% menos radiação”, explica o especialista, que visitou hospitais em São Paulo e no Sul do Brasil, na Argentina, na Alemanha e na Suíça para conhecer o funcionamento do aparelho.
Segundo Lamego, de 90% a 95% dos exames feitos no PET-CT são em pacientes oncológicos.
 
Além de permitir o controle mais efetivo da doença, o aparelho ajuda a identificar o melhor tratamento, pois mostra a ação da quimioterapia e da radioterapia no organismo. Com isso, evita que o paciente seja submetido a um número maior de sessões do que o necessário.
 
- Pelo mínimo de estresse
 
Para tentar minimizar o estresse que o ambiente hospitalar em geral provoca nos pacientes, a sala híbrida foi equipada com um painel de montanhas e dispositivos capazes de diminuir a luz e reproduzir músicas durante os procedimentos. 
 
Inaugurado em outubro, o espaço já foi utilizado para um procedimento duplo de implante de filtro de veia cava e para tratamento de uma infecção com trombose associada na perna.
 
O uso regular do PET-CT teve início na sexta-feira passada, com o fim do treinamento dos profissionais envolvidos na operação do aparelho.
 
Outro diferencial é o sistema de gate respiratório, inédito na América do Sul, que identifica tumores menores a partir do movimento respiratório. 
 
- Prédio ecologicamente correto graças a inovações na arquitetura
 
O emprego de novas tecnologias não é restrito à seara médica na unidade recém-inaugurada do Mater Dei. O prédio foi planejado de maneira a aproveitar os recursos mais modernos, inclusive no que diz respeito à redução dos impactos ambientais.
 
De acordo com o presidente do hospital, Henrique Moraes Salvador Silva, o primeiro passo foi a escolha do arquiteto.
 
O eleito foi Siegbert Zanettini. “Um senhor de 80 anos, paulista e autor de vários projetos que já receberam prêmios de sustentabilidade anteriormente. Isso motivou muito a gente”.
 
O passo seguinte foi um recorte na planta original, para que uma árvore da rua Uberaba não precisasse ser suprimida. O hospital foi erguido no terreno onde funcionou o Mercado Distrital da Barroca. 
 
“Chegamos até a perder uma área no fundo com a preocupação de preservar essa árvore”, ressalta o médico. 
 
Detalhes
 
Na fachada do edifício de 22 andares foi utilizado um revestimento de alumínio. Conhecido como ACM (Aluminium Composite Material, em inglês), o material é autolavável. Os vidros são duplos e permitem que o ambiente seja isolado termicamente, diminuindo o uso do ar-condicionado.
 
“O hospital é bem mais fresco do que um prédio normal. Tivemos ainda uma preocupação grande em construir telhados verdes, que estão quase prontos”, diz a vice-presidente assistencial e operacional Márcia Salvador Géo, também diretora clínica do hospital. A cobertura em questão é feita com grama, o que ajuda a regular a temperatura no edifício.
 
Do lado de dentro, um vão central permite o melhor aproveitamento da iluminação natural. As lâmpadas, todas de LED, são “inteligentes” e apagam sozinhas quando não há necessidade de uso.
“Todo o calor retirado do ambiente pelo ar-condicionado é aproveitado para aquecer a água utilizada nos apartamentos. Então, economizamos muita energia”, explica o diretor de Operações Wagner Sampaio.