"Eu nunca pensei que chamariam a minha atenção por estar alimentando minha filha". O desabafo é da estudante Marina Brandão Braga, que se diz constrangida por um segurança do shopping Boulevard, da região Leste de Belo Horizonte, na última segunda-feira (23), enquanto amamentava a filha, de cinco meses.

Ela estava no centro comercial acompanhada mãe e da irmã e, quando se praparava para ir embora, a bebê começou a chorar. Ela então procurou um banco e como não encontrou, se sentou numa escada pouco movimentada, na saída da avenida dos Andradas, e deu o peito para a criança.

Neste momento, ela afirma que um segurança se aproximou e pediu para que ela fosse até o fraldário. A avó do bebê, de imedito, saiu em defesa da filha e disse que ela não iria se levantar, porque não existia lei que a impedisse de amamentar ali. Segundo a denúncia, o segurança se limitou então a dizer: "já que vocês estão indo embora, eu vou abrir uma exceção".

Indignada, a estudante conta que nunca se sentiu coagida em outros lugares. "Quando uma criança começa a chorar, em locais públicos, é normal as pessoas começarem a te olhar, mas eu nunca percebi olhares tortos pelo fato de estar amamentando", desabafa a estudante.

Perplexa e sem ainda acreditar no que tinha acontecido, ela fez uma postagem de desabafo numa rede social, que chamou a atenção de centenas de pessoas com mensagens de apoio. 

Uma delas, a Gabrille Faria, uma das coordenadoras do Grupo Gestar e também integrante do movimento nacional A Hora do Mamaço. A ativista conta que essa é a quinta vez que mulheres são impedidas de amamentar livremente no Boulevard e coagidas por seguranças a irem para o espaço família. Em um outro caso, uma mãe foi até o espaço família, que estava cheio e foi orientada a procurar o SAC, porque não podia amamentar nos espaços comuns. "É o que eu considero como o conservadorismo por parte dos belorizontinos, que ainda consideram o ato de dar o peito uma forma de exposição e exibição".

Para a empresária, atos como esses vão contra às leis municipal (10.940, de 28 de junho de 2016) e estadual (22439 de 21 de dezembro de 2016) que asseguram às mães o direito de amamentar no local de sua escolha, ainda que tenha um espaço reservado.

Mãe de dois filhos, de 5 e 11 anos, Gabrielle conta que as mães se sentem mais constrangidas por mulheres do que homens. "Meu filho mais novo mamou no peito até os quatro anos e o constragimento sempre foi visível, porém velado", diz. O que pode ser considerado como uma grande contradição, já que os benefícios do aleitamento materno são amplamente divulgados por contribuir para a saúde do bebê e também o fortalecimento de laços entre mães e filhos.

E, como forma de protesto contra esse tipo de truculência, no próximo sábado (28), elas programaram um mamaço no shopping Boulevard. Vai ser às 14h, no 1º piso.

Em nota, o Boulevard informou que as mulheres são livres para amamentarem nas dependências do shopping, onde for mais confortável para elas, seja nos corredores, ou nos espaços famílias. E que vai reforçar o treinamento dos funcionários e prestadores de serviços para que eles tenham a melhor postura diante de tal fato.

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