A mulher de 64 anos, que teve uma filha na Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, deve receber alta na segunda-feira (16). A informação é da ginecologia e obstetra Rita de Cássia Lopes Souza Amaral, especialista em gravidez de risco, que acompanhou toda a gestação. A pequena Ana Letícia só deve deixar o hospital em dez dias. Ela não precisou ser entubada e respira sem auxílio de equipamentos. 

A médica decidiu mantê-la no hospital porque aguarda os resultados do exame que vai revelar se ela teve pré-eclámpsia. A gestação da procuradora  é o primeiro caso no Brasil e o 5º no mundo de gravidez nessa idade. "Quando ela chegou ao meu consultório eu achei que ela não ia engravidar, que não chegaria a ter sucesso. Mas, quando ela conseguiu de primeira, eu decidi que ia fazer de tudo para ela levar a gravidez da melhor maneira possível", comemora a médica.

Ela queria muito engravidar e, em junho de 2017, me procurou no  consultório com muita disposição e vontade de gerar o primeiro filho. "A princípio, eu pedi uma bateria de exames para saber as condições ginecológicas e já receitei algumas vitaminas".

Segundo a especialista, normalmente as mulheres têm filhos antes dos 40, mas, atualmente, é muito comum adiarem o sonho da maternidade para mais tarde, na faixa dos 45. Mas, o caso dela, era ainda mais especial. Há trinta anos ela sonhava com a maternidade, mas nunca teve sucesso pelas vias normais. Aos 57 chegou a viajar para a Índia para tentar uma fertilização, mas acabou não realizando o procedimento.

Ana Letícia nasceu prematura, mas saudável, pesando 1,750 quilos e medindo 46 centímetros. "Ela está na incubadora e deve ir para a casa em 10 dias".

A gestação foi sem muitos atropelos e pode ser considerada tranquila, pela idade. "Foram 4 internações por problemas de pressão e problemas de rotina durante uma gravidez". Ela trabalhou até a 14ª semana e depois se afastou para dar maior atenção à gestação.  "Ela está muito feliz, realizada e com leite para amamentar a menina", informou a especialista.

A realização desse sonho só foi possível após Norma, que mora em Itabira, na região Central de Minas, ser submetida a uma fertilização in vitro. Os óvulos foram doados por uma mulher anônima e o esperma pelo companheiro dela, que tem 45 anos. 

Segundo Leonardo Meyer, ginecologista e especialista em reprodução humana e responsável pela fertilização, atribui esse sucesso à boa saúde da paciente. "Eu já contraindiquei o procedimento em mulheres de 20, 30 anos. Mais importante que a idade é a natureza da pessoa, é estar bem de saúde", explicou.

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