Febre, uma forte indisposição e dores no corpo levaram a operadora de telemarketing Eliane Lopes Freire Coelho, de 49 anos, a procurar atendimento em um hospital, em Belo Horizonte, em 11 de março, logo no começo da pandemia de Covid-19.

O primeiro caso da doença causada pelo novo coronavírus havia sido confirmado no Brasil em 26 de fevereiro, em pleno Carnaval, na capital paulista. E Eliane, que é hipertensa, acredita ter contraído a Covid-19 exatamente durante a festa de Momo.

“Quando cheguei ao hospital, vi um banner enorme com os sintomas. Me perguntaram se sentia algum deles e eu tinha todos. Na triagem, falaram que era só uma gripezinha. Que podia ser sinusite. E eu já tive sinusite, sabia que não era”, recorda.

“Fiquei no respirador, senti uma falta de ar horrorosa. Fiz o teste do cotonete (swab), deu positivo e me passaram para outro andar. Fiquei 10 dias lá, terríveis. Nunca passei tanto mal na minha vida. Cheguei a tomar morfina para dor de cabeça”, detalha Eliane

Dificuldade para andar

Submetida a um raio x, ela lembra que a médica lhe receitou antibiótico e recomendou que ficasse em repouso. “Quando cheguei em casa, comecei a passar muito mal, andava do quarto para a sala com dificuldade”.

A dificuldade de respirar era tanta, diz Eliane, que ela chegou a pedir ao marido que a levasse para a Praça do Papa, no bairro Mangabeiras – um dos pontos mais altos de BH.

Sem apresentar melhora, ela conta que ligou no Hospital Lifecenter e, ao descrever o estado de saúde, recomendaram que ela fosse imediatamente para a unidade. Lá, foi encaminhada ao setor reservado aos casos suspeitos de Covid-19.

Sem ar

“Fiquei no respirador, senti uma falta de ar horrorosa. Fiz o teste do cotonete (swab), deu positivo e me passaram para outro andar. Fiquei 10 dias lá, terríveis. Nunca passei tanto mal na minha vida. Cheguei a tomar morfina para dor de cabeça”, detalha Eliane.

Com o pulmão tomado, segundo ela, perdeu o paladar e o apetite. “Fiquei sem conseguir comer nada. Levavam café, almoço, jantar e lanche à noite e eu não comia. A única coisa que descobri que conseguia comer era banana. Minha família falava que se eu não comesse ia morrer”.

“Só quem já passou sabe. É uma doença que assusta, dá muito medo. As pessoas precisam se conscientizar, não é uma brincadeira. Tem que usar álcool, usar máscara”, recomenda

Sintomas pós-alta

Depois de receber alta do hospital, ela ainda conviveu com alguns sintomas da doença e do período de internação, como tontura, dor de cabeça e enjoo. Só depois de uns 20 dias, revela, foi que sentiu o organismo voltando ao normal.

Casada e mãe de três filhos, Eliane admite que teve medo da morte. “Só quem já passou sabe. É uma doença que assusta, dá muito medo. As pessoas precisam se conscientizar, não é uma brincadeira. Tem que usar álcool, usar máscara”, recomenda.

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