Marília Cristiane Gomes, 19 anos, assassina confessa do próprio filho, foi apresentada pela Polícia Civil nesta terça-feira (29), em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil, ela confessou que matou o filho Keven Gomes Sobral, de apenas 2 anos, e que escondeu a criança dentro do sofá da casa dos tios do garoto, em Ibirité, região Metropolitana da capital. A criança estava desaparecida desde a quinta-feira (24) e foi encontrada no domingo (27).
 
Em depoimento, Marília disse à polícia que, na quinta-feira (24), ela estava em casa, lavando roupas quando o garoto tentou usar o seu celular. Ela teria tirado o celular das mãos de Kevin, mas, segundo ela, a criança teria revidado lhe dando alguns tapas. Irritada, após repreender o menino, Marília teria pegado-o pelos dois braços e jogado-o na cama. Foi neste momento que a criança teria batido com a cabeça na parede. A suspeita alegou ainda que Kevin ficou com a boca roxa e uma secreção esbranquiçada começou a sair da boca dele. Marília disse que ficou assustada com o ocorrido e, no desespero, enrolou o seu filho em um lençol, o levou para a casa dos tios e o colocou dentro do sofá.
 
O delegado Davi Batista, da 9ª Delegacia de Homicídios de Ibirité, do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelo caso, relatou que, durante o depoimento, Marília, apesar de chorar em alguns momentos, se mostrou fria, demonstrando poucas emoções ao falar sobre a morte do próprio filho. 
 
Investigações
 
Uma avaliação inicial do Instituto Médico Legal (IML) de Betim, apontou que, aparentemente, o garoto morreu por traumatismo craniano, o que reforçou a suspeita de ter sido uma morte criminosa e não acidental. Porém, de acordo com a Polícia Civil (PC), somente o laudo da necropsia poderá precisar se a criança morreu antes ou depois de ser colocada dentro do sofá.  
 
De acordo com a PC, as suspeitas recaíram sobre Marília quando a equipe de policiais da Delegacia de Homicídios de Ibirité estiveram no IML, na segunda-feira (28), para colher algumas informações. 
 
A mãe de Kevin também estava no local e os policiais acharam que ela estava muito calma em relação ao ocorrido. Neste mesmo dia, Marília foi chamada para prestar esclarecimentos sobre o caso, mas, inicialmente, seria mais um processo de rotina. Segundo a PC, a mãe do menino entrou em contradição em vários momentos durante o depoimento até que confessou o homicídio. 
 
Ela foi indiciada por ocultação de cadáver e, segundo a Polícia Civil, poderá responder também por homicídio, mas a modalidade será decidida após a conclusão das investigações sobre a vida pregressa da família de Kevin, isto é, se há histórico de agressões à criança por parte dos pais, por exemplo. A Polícia Civil informou ainda que, por enquanto, o pai do menino Cláudio Ribeiro Sobral, 31 anos, não é considerado suspeito de participar do crime.
 
 
Relembre o caso
 
A mãe da criança encontrada morta dentro de um sofá da casa dos tios, nesse domingo (27), em Ibirité, região Metropolitana de Belo Horizonte, confessou o homicídio nessa segunda (28). Segundo a Polícia Civil, Marília Cristiane Gomes, de 19 anos, foi ouvida ao lado do marido e pai da criança durante a tarde e assumiu o crime. Kevin Gomes Sobral, de 2 anos, estava desaparecido desde a última quinta-feira (24) e Marília chegou a registrar um boletim de ocorrência relatando o desaparecimento do garoto.
 
A mãe e assassina confessa Marília Cristiane Gomes mora com o marido e pai da criança, Cláudio Ribeiro Sobral, 31, em uma casa na Vila Sol Nascente, que fica no mesmo terreno dos cunhados, Ailton Silva Sobra, 23, e Lucimeire de Souza Antunes, 21.
 
Os tios do menino estavam em viagem ao Norte de Minas desde a quinta-feira (24) e souberam do desaparecimento na sexta-feira (25), quando os pais da criança ligaram informando que o Corpo de Bombeiros precisava arrombar a residência para fazer buscas no imóvel. No entanto, nada foi encontrado no dia. A fechadura foi trocada logo após pelo proprietário do imóvel, já que a casa é alugada.
 
No domingo (27) à tarde, Marília chegou a ir até a Delegacia de Desaparecidos em Belo Horizonte para pregar cartazes com a foto da criança, com o objetivo de distribuí-los, tentando despistar o crime. Logo após, foi até o Hospital Municipal de Ibirité, pois estava se sentindo mal. Ela foi medicada e, ao ser liberada, foi para casa.
 
Por volta de 22h, Marília dormia com o marido quando foi acordada pelos cunhados Ailton e Lucimeire, que pediam a chave do imóvel. Eles afirmaram que ela estava com o proprietário da residência. Para não incomodar, os dois arrombaram a porta dos fundos e, ao entrar na residência, sentiram um odor forte vindo da sala. Ao chegar no cômodo, se depararam com uma poça de sangue próxima ao sofá e quando arrastaram o móvel, viram que ele estava rasgado.
 
Ailton chamou Cláudio e quando ele olhou dentro do sofá, viu o corpo do filho. A criança foi reconhecida pelas roupas que vestia. De acordo com a Polícia Militar, não havia sinais de violência no corpo, que estava em estado de decomposição, mas o menino apresentava sangramento no nariz.
 
Eles ligaram para a Polícia Militar, que acionou a perícia da Polícia Civil. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Betim.