A gerente de lanchonete Renata Soares da Costa, de 19 anos, que simulou o sequestro do próprio filho, de dois meses, revelou que doou o bebê porque tem dúvidas quanto à parternidade da criança. A revelação ocorreu nesta quinta-feira (28), durante depoimento da mulher na Divisão de Operações Especiais (Deoesp). No entanto, a Polícia Civil não descarta a existência de outros motivos, por isso adianta que o inquérito segue seu curso normal, incluindo a realização de diligências no estado do Rio de Janeiro.
 
No último sábado (23), a mulher acionou a polícia e informou que um casal de descendência chinesa, além de um homem armado, havia roubado o seu filho, em seu colo, no Centro de Belo Horizonte. Após investigações, no entanto, a Polícia Civil descobriu Renata negociou pela internet a doação do filho.
 
Depois de entrar em contradição em seu depoimento, ela acabou confessando que entregou o bebê, por livre e espontânea vontade, para um casal carioca, de 17 anos. À polícia, a adolescente que recebeu a criança disse que perdeu o filho e que queria um bebê para substituir a criança.
 
O pai do bebê, o vigilante Jhoney Lima Santos Nulhia, de 24 anos, disse que não sabia da atitude da mulher. Ele foi para o Rio e buscou o filho, que chegou na capital mineira na madrugada de terça-feira. No mesmo dia, a mãe do bebê teve a prisão preventiva decretada por 30 dias. Nos próximos dias, ela vai passar por exames psicológicos para comprovar se está com depressão pós-parto ou algum outro problema de saúde.
 
Habeas corpus
 
A advogada de Renata entrou com pedido de liberdade provisória para a mulher, no início da noite de quarta-feira (27). A representante esteve no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, para protocolar o documento. Dentre as alegações, a defensora argumentou que sua cliente é ré primária, não oferece risco à sociedade e tem bons antecedentes criminais. Além disso, reforçou o fato de estar em período de amamentação.